Não é a primeira vez que o Comércio aborda, neste mesmo espaço, que a sinalização é clara: ao contrário do que fazem crer a presidente Dilma Rousseff e a equipe econômica do governo, o Brasil vem correndo sério risco diante de números cada vez mais negativos de sua economia. Ao mesmo tempo em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) alardeia índices positivos no que tange a empregos e produção (estes últimos não encontram eco nas entidades representativas do setor industrial), outros indicadores — como inflação e comércio exterior — apontam para uma direção diametralmente oposta.
Ao mesmo tempo em que diversos índices mostram a inflação descrevendo uma curva ascendente, o Ministério do Comércio Exterior (MDIC) divulgou ontem que a balança comercial (diferença entre exportações e importações) fechou abril com rombo de US$ 994 milhões. O resultado é o pior para o mês desde o início da série histórica, em 1959. No acumulado deste ano, o déficit chega a US$ 6,15 bilhões, o maior resultado negativo da história para o primeiro quadrimestre. De acordo com o MDIC, os rombos na balança comercial já eram esperados para o início de 2013 porque, entre dezembro e abril, ‘o governo foi obrigado’ a registrar importações da Petrobras feitas ao longo de 2012 que ainda não haviam sido computadas.
É preciso ressaltar, no entanto, que o governo só registrou agora as importações para evitar que os números influenciassem o resultado do ano passado, um ano eleitoral, onde déficits poderiam influir negativamente na performance dos candidatos apoiados pelo Planalto. A situação, extremamente grave, mostra que — ao contrário do discurso entusiasmado da presidente Dilma Rousseff transmitido em cadeia nacional de rádio e TV no dia 1º de maio — a área econômica está fazendo uma série de malabarismos para que continue apresentando números positivos diante da dificuldades globais que estão afetando diversos países.
O desenvolvimento insatisfatório da economia brasileira, que já vem sendo registrado desde meados do ano passado, culminou em uma série de medidas cujo único objetivo era alavancar o crescimento da atividade industrial. Até agora, percebe-se que os efeitos não estão tendo o efeito que se esperava. A conta não está fechando, embora o Planalto venha anunciando números superlativos de crescimento do emprego e da retomada da produção. O déficit comercial, o crescimento da inflação e o chamado pibinho dos últimos meses desmentem o discurso oficial.
Medidas mais efetivas, como a redução dos gastos públicos, são necessárias neste momento. Como o governo vem agindo de forma contrária, desonerando impostos, elevando a taxa básica de juros e, ao mesmo tempo, aumentando os seus gastos, principalmente com a máquina administrativa, o Brasil pode ser contaminado de forma implacável pelas turbulências que atingem países europeus e obrigaram os EUA a criar um plano para cortar gastos em bilhões de dólares. Enfim, enfrentar um tsunami que pode jogar todas os avanços conquistados até agora num caminho do qual seria difícil retornar.