Cinquenta e quatro alojamentos, a maioria em péssimo estado de conservação, distribuídos em nove blocos. Salas sem portas, janelas com vidros quebrados, paredes pichadas e rabiscadas - inclusive com termos que fazem apologia ao crime - e muita sujeira pelo chão. Locais inóspitos, que deveriam servir de moradia para estudantes necessitados, foram vistos com bons olhos, segundo denúncias, por viciados e até traficantes das imediações do City Petrópolis. A situação descrita acontece na Escola Técnica Estadual “Carmelino Côrrea Júnior”, o Colégio Agrícola de Franca.
A escola, integrada ao Centro Paula Souza em 1994, tem acesso facilitado. São duas entradas, uma por rua de terra, ao lado do Parque Zoobotânico, e outra pela rua Santo Gaia. O Comércio visitou o local na manhã da última terça-feira para averiguar denúncias da ação de vândalos e drogados. Logo na entrada, pela rua de terra, um guarda foi visto fazendo ronda próximo aos alojamentos, mas sequer perguntou o que fazíamos ali.
Nas salas abandonadas, até roupas jogadas foram encontradas. Marcas de fogo, na parede e no chão, e a presença de latas indicam o uso de drogas no local. Em um dos alojamentos, a inscrição “1-5-7”, em uma das paredes, é alusão direta ao mundo do crime. O artigo 157 do Código Penal refere-se ao crime de roubo.
A reportagem constatou movimentação de alunos em, apenas, três dos dormitórios. Os estudantes que moram no local conversaram apenas informalmente - não aceitaram gravar entrevistas - por temerem represálias. Eles admitiram a insegurança do local e confirmaram existir movimentação de pessoas estranhas. Esse fato é maior no período noturno. Todavia, eles disseram nunca terem sido incomodados. “Uma reforma aqui seria muito bom para nós”, disse um dos consultados à reportagem.
No primeiro semestre deste ano, o Colégio Agrícola recebeu 537 matrículas, sendo 112 no Ensino Médio e 425 no Ensino Técnico: agronegócio, agropecuária, agropecuária integrado ao Ensino Médio, cafeicultura, curtimento e meio ambiente.
Confira as imagens do local: