08 de julho de 2026

Bailes Noite Colorida


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Nos dias 30 de abril dos anos da metade para frente do século passado realizavam-se os bailes Noite Colorida, promoção Yara Clube. A preparação durava dias. A preocupação, meses. Qual vestido? preocupavam-se senhoras e senhoritas. Qual orquestra? analisavam os rapazes sócios do clube. Local, quase sempre o Ginásio do Clube dos Bagres onde aconteciam memoráveis partidas de basquete. Desde a entrada as mulheres eram alvo de olhares e avaliações: eram escolhidos os mais belos trajes presentes, com direito a prêmios, bicos, frustração e euforia. Comissão especial - formada por costureiras, mães, estilistas e cronistas - pinçava três trajes (primeiro, segundo e terceiro lugares) de senhoras, três de senhoritas para serem premiados. E as premiações, além dos mimos a que davam direito, eram passaporte garantido para moçoilas e madames participarem da Lista das Dez Mais Elegantes da cidade, emblemático título para a sociedade francana. Zibelines, tafetás, sedas, veludos, laises, rendas, bordados: vestidos cada um mais lindo que o outro. Os homens iam de terno e gravata, sapato de sola de couro para deslizarem nos boleros, sambas, twists e rocks. Os carros: fuscas, DKW, peruas e Aero Willis, chevrolets, gordinis, simcas, uma ou outra Kombi (e daí?). Os rapazes bebiam cuba-libre. As orquestras executavam os sucessos que conhecíamos dos vinis. Os cabelos femininos eram armados na marra: enrolados com cerveja antes e estufados depois com enchimento de bom-bril. A decoração da festa na base de bexigas e papel recortado preso nas paredes. Éramos quase todas virgens, os namorados iam para a zona depois dos bailes. Éramos muito, muito felizes.

(Lúcia H. M. Brigagão)