A fila descia pela porta do teatro Judas Iscariotes e tomava a calçada na noite da última terça-feira, 30. Com sacolas de alimentos em mãos, as pessoas aguardavam ansiosas pela apresentação do quarteto de cordas do Projeto Instrumental Clássico no Estado de São Paulo, formado pelos músicos Cláudio Cruz (violino), Adrian Petrutiu (violino), Horácio Schaefer (viola) e Roberto Ring (violoncelo).
O público foi tamanho que, quem não trocou com antecedência sua doação pelo convite, acabou acomodando-se no chão ou até mesmo de pé. De acordo com a diretora do Teatro Municipal, Rejane Genaro, encarregada por recepcionar o público naquela noite, o número de pessoas que deixou para trocar na porta o seu convite foi uma das causas do transtorno. “Foi divulgado que a troca de convites poderia ser feita durante todo o dia. Quem chegou já com o ingresso teve preferência. Além disso, muitos chegaram depois das 20 horas, horário marcado para o início do espetáculo.”
Vinte minutos após o programado, a sirene do teatro soou e os artistas puseram-se a postos. Roberto Ring, o violoncelista, dedicou alguns minutos para agradecer a presença do público, falar um pouco sobre a vida de Schubert e Beethoven - criadores das primeiras peças entoadas pelo grupo - e a relembrar suas passagens por Franca. “É sempre assim: casa cheia. Me lembro que em uma das vezes em que estive aqui, o público foi tão grande que quem não conseguiu entrar acabou chamando a polícia”, disse arrancando riso da plateia.
O repertório abrangeu ainda composições de Villa-Lobos, provocando um dos momentos mais descontraídos da apresentação.
Por volta das 22 horas os acordes foram cessados. O quarteto levantou-se e despediu-se. Aclamados, retornaram para um bis. “Nunca tinha visto um concerto ao vivo mas achei muito legal este contato e a iniciativa de trazer a música clássica para o interior paulista. Isso é muito importante”, disse o estudante de direito Luiz Roberto Bettarello.
Enquanto o teatro esvaziava-se, o camarim dos músicos enchia-se com a presença de jovens instrumentistas francanos. A noite terminou com um ‘bate papo musical’ e muitas fotos. “A gente toca até melhor com um público desse”, resumiu Ring.