07 de julho de 2026

Seca interminável


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Toda vez que lemos notícias sobre a seca no Nordeste e o seu combate, parece que estamos diante de jornais antigos, dos anos 40, 50, 60 ou 70 do século passado. As informações são as mesmas. O sertanejo sofre, migra, se dá mal no grande centro e, quando pode, volta, apesar dos problemas.

Os governos destinam verbas de milhões, seus órgãos são inchados por apadrinhados políticos e tudo serve quase que exclusivamente para sustentar o impatriótico mercado de apoio político, onde o governo loteia seus postos parte deles regiamente pagos entre os indicados dos parlamentares e líderes regionais que, em troca, dão seus votos congressuais para formar a chamada “base aliada”.

Para garantir a própria reeleição, esses senhores usam como cabos eleitorais os seus abrigados nos cargos do governo, pouco se importando se eles cumprem ou não com as obrigações funcionais.

O povo continua desassistido, na miséria e com sede, explorado em todos os aspectos. Mas as verbas governamentais saem continuamente dos cofres públicos.

Empreendimentos são iniciados e não acabados, interesses dos eternos rufiões dos flagelados determinam campanhas contra obras que possam reduzir a dependência, e o sofrimento continua.

Governos populistas prometem tudo, fazem grandes festas onde o povo é informado de que sua situação vai mudar, mas falta comprometimento e continuidade.

Agora, os órgãos de combate à seca são disputados por políticos da região, que lutam pela sua mudança de um ponto para outro conforme os próprios interesses sem qualquer preocupação com sua produção. DENOCs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) e Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco) sofrem as incertezas dos seus donatários políticos.

A região ainda possui a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), criada por Juscelino em 1959, extinta por FHC em 2001 e recriada por Lula em 2007, mas a seca prevalece.

A transposição das águas do Rio São Francisco projetada para distribuir água a 390 municípios dos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte - uma população de 12 milhões de nordestinos ainda não rendeu uma gota sequer, mas já consumiu elevadas somas de dinheiro público.

Já começam as movimentações para as eleições do próximo ano quando o eleitorado será chamado a votar em presidente da República, governadores dos Estados, senadores e deputados federais e estaduais.

Candidatos da situação e da oposição percorrem a região renovando as antigas e surradas promessas. E o pior é que o sertanejo, sem outra opção, ainda acredita.

O País precisa de um novo pacto político-administrativo. Enquanto se mantiver a barganha de cargos por votos legislativos, a seca continuará no Nordeste, os desastres se repetirão nas regiões de encostas e aluviões e os recursos públicos dificilmente chegarão aos necessitados. Esse não é o Brasil com que todos sonhamos...

Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo