08 de julho de 2026

Só subsídio não resolve


| Tempo de leitura: 2 min

Depois de anunciar um pacote destinado à indústria sucroalcooleira — reduzindo impostos e aumentando o percentual da mistura de etanol na gasolina —, cujos benefícios (ela mesma garante) não tem garantia de chegar ao consumidor, a presidente Dilma Rousseff, em mais um evento oficial transformado em palanque da sua campanha à reeleição (como tem se repetido com frequência nos últimos meses), anunciou ontem que o governo irá subsidiar passagens aéreas em voos regionais ‘para que os preços se tornem competitivos e estimulem a movimentação de passageiros’, como informava a Agência Brasil. Trata-se de mais um benefício entre os diversos anunciados nos últimos tempos que, sabe-se de antemão, serão bancados com o dinheiro do contribuinte.

Não se sabe a quem esta nova ‘bondade’ irá beneficiar. A princípio, as empresas aéreas continuarão recebendo o valor ‘redondo’ das passagens, já que o governo irá complementar o valor cobrado a menos. O usuário habitual pagará menos, mas dificilmente haverá um incremento no número de passageiros, uma vez que o preço ainda deverá continuar proibitivo para o cidadão comum, acostumando às viagens de ônibus e ao aperto para fechar suas contas no final do mês. Então, vê-se que mais uma vez o governo faz a festa com o bolso do cidadão que paga seus impostos e nunca andou de avião.

O discurso da presidente deixa claro que a estratégia é conseguir manter a sua popularidade às custas de medidas populistas. O governo não vai reduzir salários e subsídios de ministros, deputados e senadores para bancar a diferença no preço. E muito menos reduzir a máquina governamental, que vem sendo paulatinamente inchada nos últimos 10 anos. O dinheiro vai sair dos impostos pagos pela maioria brasileira cujos proventos são taxados de todas as formas. Em vez de utilizar as verbas existentes para bancar melhorias na saúde —a tabela do SUS continua defasada há 10 anos, situação que permite uma série de aberrações registradas no sistema público noticiadas nos últimos anos —, na logística de transportes —para acabar com o desperdício e baratear o preço de gêneros alimentícios, por exemplo — ou na melhoria da educação, opta-se pelo mais fácil, que demanda menos estudos e que aparece eleitoralmente: subsídios e benefícios a granel, muitas vezes sem levar em conta a verdadeira necessidade do cidadão brasileiro.

Para o francano, pelo menos por agora, a medida não teria qualquer valor prático, uma vez que o Aeroporto ‘Tenente Lund Presotto’ não passa de uma pista só utilizada para aeronaves particulares. Não temos, hoje, qualquer empresa comercial operando por aqui. Então, o francano vai pagar para os outros viajarem. Aliás, o que significa uma viagem de avião para quem não conta com atendimento de saúde digno? E para quem não tem dinheiro suficiente para suprir as necessidades básicas de sua família? Quando é necessária uma reforma que alivie as pesadas tributações sobre os salários de quem trabalha para se manter, subsídios como este anunciado por Dilma Rousseff acabam beneficiando uma parcela muito pequena para ser levado em conta.