08 de julho de 2026

É hora de agir


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Celebrado na última sexta-feira, 26, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial trouxe um número preocupante: entre 6% e 8% das crianças brasileiras já são hipertensas. É um dado alarmante, já que na maioria das vezes estes pequenos pacientes — e seus pais — nem imaginam que têm a doença, pois não existe a cultura de medir a pressão arterial na infância e na adolescência. Por isso, o Dia Nacional foi dirigido ao público jovem, com ações e campanhas desenvolvidos em diversas cidades do País, sob a batuta da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Uma cartilha produzida pela entidade esclarece que a hipertensão não apresenta sintomas, na maioria das vezes, mas quem tem tonturas, falta de ar, palpitações, enjoos e náuseas, dor de cabeça frequente, cansaço inexplicável ou alterações na visão, deve procurar um atendimento especializado (leia a íntegra da cartilha no link http://prevencao.cardiol.br/campanhas/img/cartilha—hipertensao2013.pdf). Nos últimos anos, em razão de uma série de fatores que passam pela alimentação e por hábitos cada vez mais sedentários, crianças e adolescentes vêm sendo atingidos por doenças que, décadas atrás, eram exclusivas de pessoas adultas, como cardiopatias — que já causaram mortes em crianças de 10 e 12 anos, vítimas de enfarto fulminante.

No caso da hipertensão, a SBC a classifica como ‘assassina silenciosa’ porque não tem sintomas e os pais, geralmente, só levam a criança ao médico quando ela tem febre. ‘Acima de 3 anos de idade, quando as vacinas já foram dadas, praticamente os pais não levam mais ao pediatra como rotina e, a partir daí, não são levadas com frequência ao médico. A obesidade infantil está na nossa frente. Hoje temos crianças com 5 anos que já estão obesas. Uma pressão de 120 por 80 pode ser elevada se a criança tiver obesidade’, explica Sonia Regina Zimbaro, diretora científica da Regional da Baixada Fluminense da Sociedade.

Ela ainda alerta que a vida sedentária, com as crianças mais recolhidas dentro de casa sem fazer exercício, o tabagismo entrando na adolescência, a alimentação inadequada com os fast foods (comida rápida, em inglês) são fatores que causam a elevação da pressão nessas faixas de idade. Sonia Zimbaro diz ainda que estão sendo registrados casos de lesões em órgãos como o coração, cérebro e o rim, além da visão e de vasos de membros inferiores, provocadas pela alteração dos níveis de pressão. Trata-se, hoje, um problema de grandes dimensões que pode criar reflexos futuros e muito mais graves, pois há a possibilidade dos atuais índices aumentarem porque também tem crescido o número de crianças obesas no País.

Deve-se acrescentar que, no caso de diagnóstico positivo, a mudança de hábitos alimentares, a prática regular de atividade física e a medicação, quando necessária, são importantes e devem ser contínuas não devendo ser abandonadas mesmo que os valores da pressão tenham sido normalizados, a não ser por orientação médica. Assim, quanto mais cedo os pais se conscientizarem do perigo e que seus filhos correm o risco de se tornarem hipertensos em razão da alimentação deficiente e do sedentarismo, pode-se evitar a evolução de um problema que vem preocupando autoridades médicas em todo o País.