08 de julho de 2026

O mandamento do amor


| Tempo de leitura: 4 min

É o tema principal da Palavra de Deus para a nossa vida

Não é possível conceber a vida cristã de forma individualista: quem não se relaciona com os outros, quem vive sozinho, quem pensa exclusivamente em si mesmo e no próprio progresso espiritual, pode até ser uma pessoa boa, piedosa, religiosa, mas não é um cristão. O que agrada a Deus? O que ele quer encontrar dentro de nós? Vejamos seus ensinamentos.

1ª LEITURA — ATOS 14
Desde o começo, os apóstolos sentem a necessidade de fundar, em todos os lugares, “centros de fraternidade” dirigidos por “anciãos”, isto é, por pessoas que hoje nós chamamos “os responsáveis pelos diversos ministérios da comunidade”. Trata-se dos ministros da Eucaristia, do anúncio da Palavra, da Catequese, da caridade, da preparação ao batismo, dos funerais, da liturgia.
O trabalho missionário não se encerra na hora do batismo, quando as pessoas abraçam a fé. É preciso que os fiéis se tornem uma “comunidade” na qual cada um se sinta um membro vivo, dinâmico, co-responsável. Nesta família de irmãos cada um deve se sentir chamado para servir os outros, desenvolvendo um ministério com generosidade, humildade e desinteresse.

2ª LEITURA — APOCALIPSE 21
Em nenhum dia da sua vida uma mulher aparece tão encantadora, tão maravilhosa, tão atraente como no dia do seu casamento. É jovem, no seu rosto não há nem manchas nem rugas; provoca admiração em todos.
Esta passagem do Apocalipse nos transmite mensagem de alegria e de esperança. Descreve o encerramento da história da humanidade. A Igreja se tornará esplendorosa “como uma esposa ornada para o esposo”; todos os males do mundo desaparecerão, um novo céu e uma nova terra serão criados.
As últimas imagens retomam as do domingo passado: Deus habitará para sempre com seu povo e “enxugará toda lágrima de seus olhos e já hão haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição”.

EVANGELHO — JOÃO 13
Quem é “glorificado” e enaltecido neste mundo? Respondo: quem conquista vitórias, quem derrota seus inimigos, quem alcança o poder, quem acumula riquezas, quem possui palácios, carros, empregados. Contudo, e nós sabemos muito bem, quantas vezes o sucesso dessas pessoas estão fundadas nas lágrimas dos pobres, nas lágrimas dos pobres, nas angústias e no sangue dos humildes. Esta é a glória dos homens. Mas qual é a de Deus?
A esta pergunta respondem, de maneira surpreendente, os primeiros versículos do Evangelho de hoje. Dizem que chegou, para Jesus, a hora da sua plena glorificação: a da sua morte na cruz. Mas como é possível isso?
Segundo a nossa maneira de pensar, ele podia vencer de forma mais brilhante: deveria ter descido milagrosamente da cruz, dar uma prova da sua força, esmagar os seus inimigos. Mas, este é o caminho que os homens trilham agora, vencer, não Deus. Ele vence quando perde, é glorificado não quando aniquila quem o odeia, mas quando muda o seu coração, quando faz sorrir quem chora, quando devolve a esperança para quem sabe que fez tudo errado na vida. Por isso, a hora da sua maior glória é a cruz, pois foi lá que manifestou todo o seu amor.
A passagem continua com a apresentação, por parte de Jesus, do mandamento novo. Para entendermos o sentido das suas palavras, devemos lembrar o momento em que foram proferidas. Estamos na última Ceia. Jesus sabe que lhe restam poucas horas de vida e sente-se na obrigação de deixar o seu “testamento”.
Da mesma forma que os filhos consideram sagradas as palavras que o pai lhes diz no leito antes da morte, também Jesus quer que os seus discípulos não esqueçam nunca as palavras que está para lhes dirigir. Eis o seu testamento: “Dou-vos um novo mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado!” Repeti-lo-á mais duas vezes para salientar sua importância.
Há quem considere o “mandamento de Jesus” um peso, uma obrigação dura e difícil. Há os que pensam que as pessoas que não seguem este mandamento são uns espertos, pessoas que sabem aproveitar a vida. Por isso mesmo estão convencidos de que os cumpridores deste mandamento “merecem” o céu e os que não o cumprem devem ser severamente castigados. Jesus continua afirmando que o seu mandamento é “novo”.
É diferente e completamente novo o amor que Jesus nos ensina. Ele nos mostra dando-nos exemplo que não se ama uma pessoa porque ele o merece, mas porque precisa do nosso amor para ser feliz. Ele amou os pobres, os doentes, os marginalizados, os malvados, os corruptos, os seus próprios algozes, porque só amando-os poderia conseguir que superassem a própria condição de miséria e de pecado.
Mas a novidade maior deste mandamento é outra. Antes de Jesus, ninguém tentou construir uma sociedade baseada num amor como o dele. A comunidade cristã se apresenta hoje como alternativa, como proposta nova para todas as sociedades “antiquadas” deste mundo, baseadas na competição, no merecimento, no domínio no poder.
Jesus conclui o seu testamento, afirmando: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros. Sabemos que não são os frutos que dão vida à árvore; contudo, são sinais de que a árvore está viva.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br