09 de julho de 2026

Sem shows na Expoagro, Franca sofre prejuízo


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Paulo de Souza Miranda Filho, vendedor da Garagem Modas, esperava faturar boas comissões em maio vendendo roupas de inverno para os frequentadores da Expoagro

A Expoagro 2013 será a primeira edição da feira sem shows. Nenhuma empresa promotora de eventos aceitou as condições impostas pela Prefeitura que, além de fazer muitas exigências, lançou a concorrência a 60 dias da festa. O prazo exíguo para organizá-la foi definitivo para que as empresas não se interessassem. Sem candidatas para realizar a festa, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) suspendeu os shows. A ausência de atrações musicais afetará diretamente a economia da cidade e da região. Não há dados específicos sobre a movimentação financeira gerada pelos shows, mas lojistas, empresas prestadoras de serviço e entidades assistenciais são unânimes em afirmar que não terão o que comemorar em maio. O rastro de prejuízos é certo.

Acostumados a ver seus lucros subirem até 40% nas três semanas de duração da feira, neste ano, os lojistas terão que buscar alternativas para não ficar com os produtos nas prateleiras. “O mês de maio é um dos melhores em termos de vendas por causa dos shows da Expoagro. Vendemos mais botas, camisas e calças. Sem a feira, será muito ruim. A cidade perde não apenas em opção de lazer, mas na economia também”, disse Aline Salomão, proprietária da loja Salomão, especializada em produtos para o mundo country. Ela não soube precisar números e valores.

Luiz Ribeiro de Lima, proprietário da Silverado Botas, também lamentou a falta de atrações artísticas de peso. “Estamos há um ano no mercado e tínhamos nos preparado para vender bem no mês que vem, apostando na Expoagro. Agora teremos que divulgar mais nossos produtos para atrair os clientes.”

Além dos empresários, quem também terá seus ganhos afetados pela falta de shows neste ano são os vendedores. Paulo de Souza Miranda Filho, de 26 anos, trabalha na Garagem Masculina, no Centro da cidade, e esperava ver sua comissão engordar em maio. “Normalmente, consigo ganhar até 40%, cerca de R$ 500, a mais em comissões porque o que vendemos são roupas de inverno que normalmente são mais caras”, disse.

Sem os shows, ele acredita que será mais difícil garantir as vendas. “Maio é um mês voltado para as mães, mas com a festa as vendas do segmento masculino acabam aquecidas. Sem Expoagro, só quem precisa mesmo deve vir comprar.”

Fora as vendas, a feira com os shows também acaba sendo uma oportunidade de emprego para muita gente. No ano passado, estima-se que a organização da Expoagro tenha sido responsável pela geração direta e indireta de mais de 2 mil postos de trabalho. São pessoas que atuam como seguranças, garçons, montadores de barracas, atendentes, recepcionistas e tantas outras funções. Essas oportunidades não existirão em 2013.

Para as entidades assistenciais, que ficam responsáveis pela exploração dos bolsões de estacionamento e por parte das barracas de alimentação, a falta de grandes shows preocupa. “É lamentável o que aconteceu. A Expoagro é o maior evento em termos de arrecadação para a associação. Agora não sabemos nem mesmo se haverá o estacionamento, mas se tivermos, devemos ter um lucro 80% menor sem os shows”, disse Fernando Campos, presidente da Aeaf (Associação das Entidades Assistenciais de Franca).

Segundo ele, normalmente, o valor arrecadado com o estacionamento é dividido entre 25 entidades. Cada uma consegue receber cerca de R$ 3 mil, um total de R$ 75 mil.

REGIÃO
Os shows da Expoagro também costumam movimentar a economia da cidades da região. Neste ano, a influência da feira será bem menor. Acostumado a fazer o transporte de pessoas de Pedregulho para Franca durante os dias de shows, João Bolonha, da Bolonha Transporte, verá seus lucros encolherem o mês que vem. “Normalmente, costumo levar dois ônibus de pessoas por show [cerca de cem pessoas]. Cobro R$ 15 de cada uma, por aí, você já vê meu prejuízo.” Sem os dez dias de shows da festa em Franca, Bolonha deixará de lucrar R$ 15 mil.