08 de julho de 2026

Antes que seja tarde


| Tempo de leitura: 2 min

Não foi a primeira vez. E, infelizmente, da forma como a banda vem tocando nos últimos anos, não será a última. Causou comoção o apelo da mãe de um menino de 11 anos que procurou a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e implorou pelo internamento de seu filho viciado em drogas. O desespero materno trouxe à baila as discussões a respeito da forma negligente com que as autoridades brasileiras tratam este grave problema social —que vem vitimando garotos e garotas cada vez mais jovens. E, em consequência, cria outros mais sérios ainda, que culminam sempre na criminalidade.

Ao atingir todos os extratos sociais, o vício em entorpecentes (e hoje o crack é é grande vilão, disseminado também em todas as faixas etárias) não encontra, por parte do poder público, uma resposta à altura de sua perniciosidade. Quando se fala em internação compulsória —ou involuntária —, há os que defendem o direito do paciente querer se tratar ou não. Mas estes defensores não aparecem para explicar a uma mãe desesperada o seu ponto de vista e dar-lhe uma resposta a seu apelo. Já está mais do que provado que viciados em drogas pesadas (como crack, cocaína e heroína) já não têm controle sobre suas próprias vontades. Assim como o alcoólatra, não consegue dominar o seu vício e precisa ser tratado como um doente.

A morte do músico Chorão, da banda Charlie Brown Júnior, vítima de overdose de entorpecentes, há mais de um mês, causou comoção mas não se viu qualquer ação dos poderes constituídos no sentido de modificar este quadro cada vez mais negro que vem sendo pintado à nossa frente. Iniciativas surgem mas logo são esquecidas. E outra são combatidas. Enquanto o governo do Estado de São Paulo vem enfrentando resistências com a política de internação involuntária de viciados (no Rio, há a internação compulsória daqueles que são retirados de cracolândias), ainda não surgiu outra proposta capaz resolver esta grave questão que dê um alento a mães como a francana que se sente impotente diante da situação de seu menino de 11 anos de idade.

E, no seu desespero, a mãe ainda faz outras observações que merecem uma atenção mais acurada das autoridades: ao lado de seu filho, outras crianças também fazem uso da droga na praça da Vila São Sebastião. E, para elas, é fácil conseguir comprar entorpecentes — seja solvente de tinta ou maconha e cocaína —, já contraindo dívidas e recebendo ameaças de traficantes.

Uma solução precisa ser encontrada em pouco tempo, antes que tenhamos toda uma geração perdida ou a criminalidade exploda em níveis insuportáveis, já que este é o caminho da maioria dos jovens viciados que recorre a furtos e roubos para comprar a droga. O caminho mais viável que se conhece é o internamento, mas a falta de centros especializados ainda é um entrave para que a política do governo do Estado seja ampliada para o Interior. O que, convenhamos, é uma pena.