Abro a janela e estou livre
Onde só há céu e azul
Onde a ave é ave
Onde o vento é vento
E tudo que não é livre...
Cai
Mas a ave desce à terra
Caminha e se alimenta
Faz seu ninho...
E depois volta
Para o céu que lhe pertence
E tudo isso é a ave
Mas não a ave não é tudo isso
A ave é a asa de voar
É a digestão da nuvem
É o rastro no céu
É a voz do ar
É tudo e nada
A se construir e destruir
A subir e a descer
Se ficar mais no ar é sabiá
Se ficar mais na terra é galinha
Correrá do gavião ou da raposa
Mas sempre correrá
Porque há leis que não se mudam
Não é mais ave quando voa
É somente ave que pode voar...