08 de julho de 2026

Gol contra


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Shows movimentam milhões e geram centenas de empregos na Expoagro

O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) surpreendeu aliados e até mesmo adversários políticos neste começo de mandato ao tomar medidas precisas. A retomada do controle de internações na Santa Casa, o mutirão de cirurgias eletivas, a viabilização de 2,5 mil casas populares e a autorização para instalar defensas nos córregos foram, sem dúvida, um verdadeiro gol de placa. Mas Alexandre pisou na bola ao não conseguir realizar sua primeira Expoagro com os tradicionais shows. Foi como marcar um gol contra em decisão de campeonato. Os estragos serão grandes. O prejuízo começa a ser contabilizado. Uma hora após ter sido postada no Portal do GCN ontem à tarde, a notícia já havia sido acessada por cinco mil pessoas. Choveram críticas à decisão.

A Expoagro é a festa mais esperada pela população. Tudo bem que a parte técnica está mantida e que as exposições de cães continuará chamando a atenção da criançada, mas o que o povão gosta mesmo é dos shows. Na edição do ano passado, incluindo os dias de portões abertos, mais de 150 mil pessoas passaram pelo parque. Não é pouca coisa. Quase a metade da cidade fez movimentar a economia ao comprar ingressos, pagar estacionamento, comer aquela cocada, beber aquela cerveja gelada, ao experimentar os pratos servidos no recinto ou, simplesmente, ao levar os filhos para brincar nos parques. Pouco provável que tanta gente se disponha a sair de casa agora para ver as vaquinhas.

Os shows são o grande carro-chefe e fazem a feira movimentar milhões e abrir centenas de postos de trabalho. O organizador gera entre 800 e mil empregos diretos e terceirizados durante o evento. São seguranças, carregadores, vigias, lateiros, garçons, vendedores e comerciantes, entre tantos outros. Só de latas de cerveja são vendidas em torno de 250 mil unidades em uma Expoagro. Não haverá emprego para tanta gente, os bares, barracas e restaurantes vão vender menos. As entidades assistenciais vão ficar sem os recursos gerados com os estacionamentos. O povo ficará sem diversão, mas não perde apenas os que gostam dos shows. O prejuízo é de toda a cidade.

A bola fora chutada pelo prefeito se torna ainda mais grave quando lembramos que Alexandre Ferreira era o secretário do Desenvolvimento e foi o responsável pela Expoagro nos últimos três anos. Deveria saber que seria loucura fazer a complexa e cara licitação a menos de um mês da feira. Pagou para ver e, agora, terá que digerir o desgaste e explicar o prejuízo.

Baixa no governo
Importante secretário municipal vai deixar a Prefeitura nos próximos dias. A decisão é irrevogável.

Assédio
Terça-feira, período da manhã. Alexandre Ferreira recebe os vereadores Marco Garcia e Zezinho Cabeleireiro, ambos do PPS, e faz o convite oficial para que se filiem ao PSDB. Terça-feira, período da tarde. O vice-prefeito Fernando Baldochi e o pai, Milton, vão à Câmara e tentam convencer os dois vereadores a migrarem para o PMDB. O PPS e o PMN vão se fundir e passarão a se chamar MD (Mobilização Democrática). Uma janela de 30 dias será aberta para que os os políticos mudem para o partido ou pulem fora sem o risco de perder o mandato. Hoje, o PMDB, dono de uma vaga ocupada por Daniel Radaeli, surge com mais chances de receber Marco e Zezinho.

Guerra Santa
O vereador Pastor Otávio (PTB) vai encaminhar para 275 igrejas evangélicas de Franca a moção de repúdio ao deputado e também pastor, Marco Feliciano (PSC), que foi rejeitada pela Câmara, terça-feira, após ter sido considerada, erradamente, como aprovada uma semana antes. “Junto, vou inserir a cópia da votação para que os pastores tomem conhecimento dos vereadores que votaram contra a moção”. Apenas Márcio do Flórida (PT) e Donizete da Farmácia (PSDB) foram favoráveis ao repúdio. Marco Garcia (PPS) e Bahia (PTB) “atendiam munícipes” no gabinete na hora do voto. Sei...

Presidente repudiada
Na próxima terça-feira, os vereadores não analisar outra moção de repúdio, desta vez contra a presidente Dilma Rousseff (PT) e o ministro da Saúde. A homenagem foi proposta por Zezinho Cabeleireiro pelo “desserviço” prestado à população no que diz respeito à falta de reajuste da tabela SUS.

Não faça o que eu faço
Vereadores adoram criticar o prefeito por apresentar projetos em regime de urgência, mas também estão exagerando na dose. Depois de usarem o mesmo expediente, semana passada, para aprovar o pacote de benefícios aos seus servidores, voltaram a pedir urgência anteontem para votar a criação do dia da empregada doméstica. Assim, os nobres parlamentares não poderão mais dizer que estão engolindo sapos ou levando passa-moleque do Executivo.

Minha Câmara, Minha Vida
Conhecido meu vai deixar a lavoura para trabalhar na Câmara. É mais rentável do que plantar tomate.

Eu já sabia
Na coluna do dia 11, a coluna antecipou que a Expoagro poderia ser realizada sem os shows. Mas calma gente: a Festa da Soja está garantida.

Edson Arantes
Jornalista – edson@comerciodafranca.com.br