09 de julho de 2026

Valorização aos mestres


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Não é a primeira vez que o Comércio da Franca usa este espaço para defender a valorização da carreira do professor. E, da forma como vem andando a carruagem, não vai ser a última. Afinal, além de receber uma atenção maior das autoridades em todos os níveis, educadores estão por merecer que pais e alunos se conscientizem da sua importância para a formação de sucessivas gerações. Acima de tudo, é necessário discutir de forma prioritária e urgente os percalços pelos quais os professores passam. Além de uma melhora de vencimentos, os professores merecem muito mais. A falta de segurança, a capacitação deficiente e o desrespeito dos alunos também causam desânimo que leva à falta de atração que cerca esta importante profissão.

Nos últimos tempos, os casos de violência se tornaram comuns nas escolas da cidade. A manchete deste sábado do Comércio mostra que a situação é bastante grave. Na sexta-feira, duas bombas foram detonadas no banheiro masculino dos alunos da Escola Estadual ‘Sérgio Leça Teixeira’, no Jardim Aeroporto III. Por pouco, a vice-diretora da unidade de ensino não se feriu gravemente. No mesmo dia, o vidro de uma das salas foi estilhaçado por uma pedrada. Anteriormente, somente na escola do Jardim Santa Bárbara duas agressões a educadores aconteceram em menos de um mês. E há vários outros antecedentes, inclusive com uma diretora de escola agredida pela mãe de uma aluna.

A situação é tão grave que há profissionais que estão procurando outras saídas para se manter, buscando profissões mais seguras e que trazem menos riscos à sua integridade física. Ou então, abandonando o ensino público e assumindo aulas junto a instituições privadas. Por isso, há a necessidade de uma tomada de posição a partir das próprias famílias — que estão deixando de reconhecer a importância do professor e permitem que o desrespeito seja constante, como constatou a reportagem do Comércio na própria escola ‘Sérgio Leça’. Deve ficar bem claro que o professor ensina, mas é o núcleo familiar que provê a educação.

Além disso, governos federal, estadual e municipal precisam dar um respaldo maior, ao reforçar e ampliar a capacitação dos profissionais do ensino. A necessidade de reciclagens e atualizações bancadas pelo poder público é necessária para que educadores não se sintam em desvantagem principalmente diante do avanço tecnológico vertiginoso dos dias de hoje. Prover-lhes a necessidade de equipamentos adequados para que possam desenvolver ainda mais o interesse do aluno também é fundamental. Tudo isso precisa ser discutido com bastante cuidado, já que é preciso reverter a situação atual.

A verdadeira inversão de valores que se vê diariamente, com uma série de ações desrespeitosas contra um educador, é um dos motivadores do nível insatisfatório do ensino no País. A situação exige uma mudança imediata — e esta só pode vir dos responsáveis pelo ensino público, como Ministério e Secretarias (estaduais e municipais) da Educação. Já passou da hora de se resgatar uma categoria que vem sendo agredida — não só física mas também moral e profissionalmente — nas últimas décadas e mais fortemente nos últimos anos.