“Eu bebo água que passarinho não bebe... Água que queima e desce quente”. A música do cancioneiro popular sintetiza a fama de um dos produtos mais conhecidos e apreciados pelos brasileiros: a cachaça. Produzida a partir da destilação da cana-de-açúcar, em um processo todo artesanal, ela tem ganhado prestígio e conquistado até o público gourmet. Na região de Franca, há pelo menos quatro fazendas produtoras da bebida que se esforçam para fabricar uma cachaça de qualidade e divulgar o potencial da nossa terra.
Com mais de 150 anos de tradição, a cachaça Barra Grande é uma delas. É produzida em um engenho movido por uma roda d’água, em uma propriedade de Itirapuã que guarda as características do século 19 e só foi adequada às legislações sanitárias atuais.
Segundo o proprietário, o engenheiro agrônomo e pós-graduado em produção de cachaça, Maurílio Figueiredo Cristófani, o alambique tem capacidade para produzir 400 litros da bebida por dia durante o período de safra, prevista para começar neste mês. A produção dura cerca de oitos meses e segue rigoroso padrão de qualidade, desde a moagem até o engarrafamento. “A cada 24 horas fechamos um ciclo, além disso deixamos a cachaça envelhecer por um período de seis meses a dois anos.” Durante esse tempo, a bebida fica armazenada em tonéis de carvalho e jequitibá com até 25 mil litros de capacidade e só depois é engarrafada (os envases acontecem a cada 15 dias) para ser comercializada. Os tonéis diferenciados resultam nos dois tipos de cachaça da Barra Grande, a ouro (tonel de carvalho) e a branca (tonel de jequitibá).
Cristófani diz que a tradição do engenho começou com o tataravô , ficou um período desativado e foi retomado em 2002 quando ele assumiu. Atualmente, dos 80 hectares da fazenda, mais da metade (45) é destinada ao plantio de cana e desse total 5 hectares são voltados para a produção da cachaça.
OS PRODUTOS
Vendida em garrafas de 750 ml, a cachaça Barra Grande tem 45% de teor alcoólico e custa de R$ 18 a R$ 30, como é o caso da cachaça que leva a marca nacional Santo Grau, originária de uma parceria firmada em 2011. “A Santo Grau leva o nome de Itirapuã no rótulo e está presente em todo o Brasil em grandes redes.”
Buscando ganhar cada vez mais mercado, a cachaça Cortarelli começou a comercializar sua primeira safra em dezembro do ano passado. A bebida é produzida na fazenda Diamantina, em Cristais Paulista, desde 2006, graças ao empreendedorismo do casal Adelmo Francisco da Silva e Maria da Glória Gomes da Silva. “Meu pai trabalhava no ramo gráfico e tinha esse sonho. Depois deles viajarem para Salinas (MG) e realizar muitas pesquisas na área, conseguiram fornecedores e profissionais para iniciar a produção”, disse Arnaldo Luís Gomes da Silva, que hoje toca o negócio ao lado da mãe, após a morte do pai.
A cachaça também é produzida 100% artesanalmente, conta com mestre alambiqueiro, tem registro do Ministério da Agricultura e está presente atualmente em 108 pontos de venda de toda a região. Segundo o gerente comercial Klério Pereira, a Cortarelli (originário de um sobrenome italiano da família) tem planos de exportar a bebida a partir do segundo semestre deste ano. “Estamos em contato com a China e os EUA. Acreditamos que até setembro ocorra a primeira remessa”, disse Klério.
RITMO
Com uma produção anual que dura em torno de 90 dias, o alambique de Cristais produz quatro aromas de cachaça (jequitibá, bálsamo, umburana e ipê) e pretende inserir brevemente no mercado a cachaça de carvalho. “A nossa região tem a melhor produção de cana, além de um bom solo e alta tecnologia. Desse resultado só pode sair uma excelente cachaça”, disse Pereira. Em 2013, a cachaça Cortarelli entrará para sua 5ª safra que só deverá ser comercializada após três anos de descanso. Cada garrafa da bebida tem 750 ml, teor alcoólico entre 41% a 44% e um preço final que varia de R$ 40 a R$ 60.
As outras duas marcas de cachaça que são produzidas na região de Franca são a Formosa, de Ribeirão Corrente, e a Elisa, que é fabricada na vizinha Patrocínio Paulista.