Abrir mão de protagonizar um momento especial e dividi-lo com outras pessoas parece ser uma boa ideia -ou uma alternativa - para cerca de 100 casais que oficializam a união anualmente em casamentos coletivos. Promovidos por igrejas católicas e evangélicas, a celebração contempla a união nas esferas civil e religiosa sem custo algum, o que garante economia aos noivos. Em consulta informal, o Comércio levantou que uma cerimônia na igreja católica, realizada durante o dia, ficaria no mínimo R$ 1.350 (à noite o valor é R$ 250 mais caro), incluindo as taxas cobradas pela paróquia, Cartório de Registro Civil e com decoração simples.
“O casamento coletivo é inteiramente gratuito. Foi criado há oito anos com o objetivo de regularizar a situação de casais que têm uma relação estável e que, por motivos financeiros, não puderam se casar”, disse o pastor Otávio Pinheiro, que organiza o evento na Igreja Assembleia de Deus.
As Paróquias São Judas Tadeu e São Sebastião e a Assembleia de Deus realizam em média cem uniões coletivas por ano. E o interesse é considerável. “Há nove anos fazemos os casamentos coletivos e já houve ano em que ‘casamos’ 55 casais”, disse a integrante da coordenação da Pastoral Familiar da São Sebastião, Raquel dos Reis, que prepara a cerimônia para o dia 15 de junho.
Embora o perfil dos interessados seja o mesmo nas igrejas - casais que já vivem juntos e que não tiveram dinheiro para oficializar a união -, as cerimônias se diferem.
Na Paróquia São Sebastião, as noivas têm direito a entradas individuais. “Realizamos um casamento normal. As noivas trajam seus vestidos tradicionais e o pai pode levá-las até o altar para entregá-la ao noivo. O padre celebra individualmente os casamentos”, disse Raquel.
Já na Assembleia, a cerimônia é uma só. Os noivos já entram juntos, de braços dados, e ficam em círculo para receber a benção. “Primeiro é realizado o casamento civil, com um casal por vez, e, depois, a cerimônia religiosa com todos os casais juntos”, disse o assessor parlamentar do pastor Otávio, Adriano Reis Pessoni.
O Comércio acompanhou, no dia 23 de março, a cerimônia na Igreja Assembleia de Deus do Jardim Brasilândia com cinco casais. Com meia hora de antecedência, os noivos e familiares já aguardavam na calçada ansiosos. De longe os noivos pareciam calmos, mas, ao primeiro contato, o oposto foi logo revelado. “Estou muito nervoso”, disse o sapateiro Israel Cistor.
Apenas duas noivas foram vestidas com os habituais “brancos de cauda”. O restante optou por modelos de festa e de cores diversas. Gislaine Rodrigues usou um vestido social para se casar com Paulo Roberto Roza. “Estamos juntos faz dois anos e há um vivemos como marido e mulher. Estava em nossos planos nos casarmos na igreja”, disse Gislaine.
Gislaine e Roberto trabalham em fábricas de sapato e disseram que a questão financeira foi decisiva para casarem-se em conjunto. “Não tivemos que nos preocupar com enfeites da igreja, nem com o civil, que é caro. Só me preocupei com a roupa e a recepção. E isso eu planejei dentro das minhas possibilidades”, disse ela.