Apaixonado por tênis, o Procurador do Estado e presidente da recém-criada Liga Alta Mogiana de Tênis, Márcio Henrique Mendes da Silva, 45, está empenhando em incentivar a prática do esporte na cidade. E, para isso, a melhor maneira é começar do começo. Com o apoio da Liga e de patrocinadores, Márcio deverá colocar em prática em breve o projeto Tênis na Escola na rede municipal de ensino em Franca. Quando estiver totalmente implantado, deverá beneficiar 10,8 mil crianças, de 6 a 10 anos, matriculadas no ensino fundamental (1º a 5º ano).
Ele próprio, um tenista amador (chegou a representar Franca nos Jogos Regionais na década de 80), já notava há muito tempo a falta de um projeto abrangente de tênis que fizesse as crianças da região conhecerem o esporte. “Também não havia programas do tipo estágio 2, ou seja, aquele nível intermediário em que os alunos mais talentosos são treinados, e do 3, chamado de alto rendimento, em que eles são encaminhados para a profissionalização”, disse.
Mas, para o Procurador, muito mais importante do que formar um contingente de jovens praticantes do tênis, é trabalhar a cidadania com as crianças e proporcionar bem-estar a elas com a prática esportiva. “O tênis é um esporte de congregação; os oponentes, ao final da partida, se cumprimentam. Depois de um ano, você modela a personalidade da criança. O tênis também dá uma qualidade de vida que você dificilmente obtém em outro esporte, porque você pode jogá-lo durante toda a sua vida, inclusive com 70, 80 anos. Além de tudo, a criança, ao começar a jogar e a competir, vai querer se cuidar e se alimentar melhor”, disse.
Outra preocupação de Márcio - que ele pretende amenizar com o projeto Tênis na Escola - é mostrar que o tênis tem potencial para ser um esporte popular, e não elitista. “Ele é extremamente acessível. Com R$ 50, você compra uma raquete.”
Mas para disponibilizar um volume maior dos instrumentos no projeto para mais de 10 mil crianças da rede municipal, Márcio teve que recorrer à iniciativa privada. São os parceiros que deverão custear o equipamento apropriado para crianças de 6 a 10 anos, com mini-redes, raquetes menores e bolas que quicam menos. Cada kit, com 30 raquetes, 80 bolas e 6 redes, custa R$ 5 mil.
A PRÁTICA
As próprias quadras das escolas poderão ser utilizadas nas aulas de tênis. Os professores de educação física também serão aproveitados, mas eles, primeiramente, deverão passar por um processo de capacitação, que deverá ser oferecida a partir do mês que vem na Unifran (Universidade de Franca). “Queremos começar esse curso com talvez o maior nome do Brasil em termos de capacitação, que é o [ex-tenista] Carlos Alberto Kirmayr”, disse procurador. A equipe que vai trabalhar com as crianças ainda deve incluir monitores, que serão, num primeiro momento, fornecidos pela Liga Alta Mogiana, e, posteriormente, estudantes que cursam educação física.
Assim que o curso de capacitação estiver estabelecido, a Liga assinará um convênio com a Prefeitura, marcando o início do projeto. Márcio estima que em agosto o Tênis na Escola já estará implantado em uma escola-piloto, que será escolhida através de visitas de membros da Liga às unidades escolares.
A ideia é implantar o projeto gradualmente, verificando o que dá certo ou não ao longo do caminho. O objetivo final é que os 10,8 mil alunos sejam beneficiados na cidade em até dois anos após o início das atividades.
Contudo, Márcio alça sonhos bem mais altos quando o assunto é tênis. “Imagino que o prefeito atual e os próximos terão um problema para cuidar, porque vai ter muita criança jogando tênis e os espaços públicos vão ter que ter quadras para o esporte”, arrisca. Hoje, há somente duas quadras públicas de tênis em Franca, no Ginásio Poliesportivo.