Deus é o pastor de Israel e Jesus é o pastor de todos os seres humanos. À luz da palavra de Deus queremos rezar pela Igreja e pelas vocações sacerdotais: que o Senhor envie operários à sua messe. Deus nos fala por meio da sua Palavra. Meditemos sobre o bom pastor.
1ª LEITURA — ATOS 13
A Liturgia da Palavra começa com trecho da narrativa da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé. Eles chegam num sábado a Antioquia da Pisídia, entram numa sinagoga dos judeus e começam a anunciar a Boa Nova de Jesus. A mensagem impressiona. Na semana seguinte, acorrem mais ouvintes ainda. Muitos são tocados pelo chamado de Deus para a conversão e escolhem o caminho da vida. O fato, porém, contraria os judeus, que têm convicção de que as promessas e bênçãos de Deus são exclusivas a seu povo. Não se dispõem a aceitar que agora a salvação seja oferecida também a pagãos, Começam a insultar os apóstolos e a discutir com Paulo e Barnabé. A resistência que se opõe à aceitação da novidade proposta por Paulo e Barnabé é a mesma que experimentamos em face da mudança de vida que Deus nos propõe e espera por nós.
O episódio narrado na leitura de hoje me traz à mente um fato semelhante ocorrido com Jesus. Ele também, e justamente no começo da sua vida pública, logo depois de iniciar a sua pregação, é expulso da sinagoga de Nazaré e corre até o risco de ser linchado por aqueles que haviam se reunido para rezar. Seus conterrâneos tinham a convicção de serem religiosos exemplares, de terem um conhecimento pleno de Deus; não podiam, pois, aceitar que Jesus pusesse em dúvida duas convicções religiosas e lhes provasse que eles tinham interpretado muito erroneamente as Escrituras. Se Jesus e os apóstolos foram perseguidos, não é de admirar que também em nossos dias os autênticos pregadores do Evangelho não encontrem sossego.
2ª LEITURA — APOCALIPSE 7
Quantas dores, quantas angústias, quantas amarguras marcam a vida do homem! O livro do Apocalipse dedica quatro capítulos a esse problema angustiante. Revela que no céu existe um livro no qual um anjo registra todos os sofrimentos e todas as lágrimas dos homens. Nesse livro também está escrito o porque de acontecerem tantas coisas absurdas. Este livro, porém, está lacrado com sete selos que nenhum homem pode romper. O Vidente do Apocalipse nos convida a pôr fim ao nosso pranto: o Cordeiro diz-nos ele - abrirá o livro e romperá um a um os selos, isto é, desvendará os mistérios da nossa vida.
O trecho da leitura de hoje nos revela o que acontecerá com a ruptura do sexto selo: surge uma imensa multidão que ninguém consegue contar, pessoas de todas as raças, línguas, povos e nações. Todos estão de pé diante do trono do Cordeiro, revestidos de vestes brancas e com palmas nas mãos. A veste branca simboliza a alegria e a inocência, as palmas são o sinal da vitória.
Mas, quem são essas pessoas? São aquelas que neste mundo suportam tribulações e perseguições e deram a própria vida pelos irmãos, como fez o Cordeiro. Os homens os consideraram derrotados, mas para Deus são vencedores. Esta página foi escrita para estimular os cristãos perseguidos a perseverar com paciência. Está se realizando neles o que aconteceu a Jesus, o Cordeiro: se o seguirem como se segue um pastor, participarão da sua mesma vitória.
EVANGELHO — JOÃO 10
Neste 4º domingo da Páscoa, vemos novamente a temática do pastor e das ovelhas. Jesus é o verdadeiro pastor. Ele conhece as suas ovelhas. Estas escutam sua voz e o seguem. O seguimento só é possível para quem reconhece a voz do Ressuscitado. Os que seguem o Ressuscitado têm a “vida em seu nome”, receberão a vida eterna. Não perecerão, conforme Jesus afirmou no discurso da despedida.
As ovelhas não podem ser arrebatadas da mão de Jesus porque foi o próprio Pai que lhas deu. E as obras do Filho revelam a vontade do Pai, porque eles constituem uma unidade. É tal unidade a fonte da força de Jesus. E essa força é transmitida aos que recebem a sua vida. por isso o mundo não pode arrebatar aqueles que são de Jesus.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br