Gosto muito de crianças. Gosto da sua espontaneidade, das suas travessuras, dos seus sorrisos, da sua alegria pura, da sua ingenuidade.Uma criança dá encanto à vida e encerra em si os germes do futuro.
Há crianças que nos surpreendem. Cataputa, por exemplo, cujo apelido deriva de um palavrão mal pronunciado, é uma fascinante criança de aproximadamente 4 anos. Dias atrás, brincava com seu tio à beira de uma piscina. Indo e vindo, correndo para lá e para cá, Cataputa encheu um baldinho d’água e despejou nas costas do tio. Na reação ao frio e ao inesperado, o tio virou-se para ele e disse:
“Vai à merda, molequinho!”
Cataputa, olhando para o tio com muita seriedade, retrucou:
— Quem te ensinou isso!?
Há crianças atrevidas. Certa feita, resolvi experimentar a monareta de um adolescente. Gordo, barbudo e vestido com um abrigo, montei na maquininha e dei uma volta no quarteirão. Na esquina havia um grupo de meninos e foi dali que eu escutei:
— Olhem, lá um ursinho na bicicleta.
Resolvi dar outra volta e, do mesmo bando de meninos ouvi:
— Lá vem o ursinho que fugiu do circo.
Há crianças que acabam sendo inoportunas. Paulo Pires, saudoso gráfico do Diário da Tarde e de vários outros jornais francanos, gostava de contar uma história da qual eu fui personagem. Dizia ele que, numa visita que o Dr. Alonso y Alonso fez à redação do jornal de meu pai, logo após a sua eleição para prefeito de Franca, eu, com aproximadamente cinco anos, virei-me para o benemérito médico e disse:
— O meu pai não votou no senhor, não. Ele deu apoio para o Zé Resende.
Apesar do Dr. Alonso já saber desse fato, a minha revelação não deixou de produzir alguns sorrisos amarelos.