Há tempos estamos acompanhando o crescimento vertiginoso da violência, com a bandidagem usando e abusando de uma revoltante ousadia durante as suas ações, colocando famílias inteiras —incluindo aí crianças, mulheres e idosos — à mercê do poder persuasivo de alguma arma. Ninguém é poupado e, muitas vezes, mata-se sem qualquer razão. Como já dissemos aqui neste mesmo espaço, há tempos o cidadão de bem se tranca dentro de casa enquanto marginais tomam conta das ruas, à procura de sua próxima vítima. Mas, também como já dito, nem se esconder dentro de casa adianta mais. Os bandidos invadem qualquer espaço, em qualquer lugar, a qualquer hora do dia.
No último sábado, a situação aterradora de ter a casa invadida e uma família feita refém voltou a se repetir. A frequência com que esse tipo de ocorrência se dá em Franca é assustadora. Um assaltante manteve sete integrantes de uma mesma família reféns (três eram crianças) em um sítio às margens da rodovia Nelson Nogueira, que liga Franca à cidade de Ribeirão Corrente. O bandido fez o que quis nas quatro horas em que as vítimas ficaram sob a mira de seu revólver. Além da invasão, da intimidação, da violência, do roubo, o bandido não parecia satisfeito. Abusou do deboche e, antes de fugir, exigiu que lhe preparassem o jantar. Depois de comer, mandou ainda que as sobras fossem colocadas em uma marmita para ele comer mais tarde.
Os comentários de leitores no Portal GCN à essa notícia deixaram clara a indignação não apenas com o assalto, claro, mas vão além e mostram a inconformidade com a ousadia e o deboche do marginal. Beira o surreal. Os que acompanham as páginas do Comércio no correr dos anos nunca se depararam com algo do tipo. Há muitos casos onde os bandidos invadem residências vazias e só vão embora depois de se servirem do que há na geladeira. Desta vez foi ainda pior. E, ao sair, ainda ameaçou todos de morte se a polícia fosse comunicada do crime.
Claro que, diante de casos como esse, muitos exijam uma ação mais enérgica da polícia para com estes marginais, mas, muitas vezes, só a prisão para estes bandidos não basta. Alguma disposição da lei acaba permitindo que pouco tempo depois eles retornem às ruas e voltem a delinqüir com tranquilidade. É necessário que a legislação criminal seja reformulada, inclusive retirando a série de benefícios que os criminosos têm atualmente. Não adianta prender e soltar; é necessário que a prisão se torne um castigo exemplar. Do jeito que está hoje, além de não educar, o sistema prisional brasileiro — e as leis que pautam as decisões da Justiça —também não pune. O deboche do assaltante que fez suas vítimas cozinharem para ele é mais uma das inúmeras provas com as quais nos deparamos todos os dias de que algo precisa mudar. E rápido.