09 de julho de 2026

Empresa quebra e moradores do Jd. Tropical 2 ficam sem escritura


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Moradores do Tropical II, Maria do Carmo Castro, Gleide Gonçalves Assunção e o marido Ronaldo Assunção mostram documentos que informam sobre o processo de falência da empresa que loteou o bairro

Quando comprou o terreno em 1993, no loteamento que formou o Tropical II, a balconista Gleide Gonçalves Assunção pagou à vista e começou a construir a casa onde a família reside até hoje. Passados tantos anos, ela nunca se preocupou em registrar a escritura do imóvel. Somente no último mês de novembro, decidiu ir atrás do documento, mas encontrou uma barreira. Ao procurar o 2º Cartório de Registro de Imóveis, foi informada de que não seria possível registrar a escritura, porque a empresa que loteou o bairro está em processo de falência e não é possível obter informações sobre os antigos donos.

No bairro não existe um grupo que responda por todos os moradores, mas Gleide acredita que inúmeras pessoas se encontram na mesma situação. “A todo o momento ficamos sabendo de alguém que também tentou registrar a escritura e não conseguiu. A única informação que temos é do processo de falência, que nos impede de conseguir o documento. Ninguém sabe nos informar sobre a imobiliária e não conseguimos contato com ninguém ligado a ela”, disse Gleide.

Sobre a demora para registrar o documento, a balconista justifica. “É um processo caro e a gente foi deixando passar. Quando resolvemos, não deu certo. Procurei um advogado, mas ele disse que não adianta ingressar na Justiça agora enquanto corre o processo.”

Outra que enfrenta a mesma situação é a dona de casa Maria do Carmo Castro, 59. No bairro desde 1993, ela ainda não possui a escritura do terreno que comprou da mesma imobiliária. Na época, pagou o equivalente ao valor de hoje, R$ 4,5 mil. “Não tenho intenção de vender a casa e fui deixando passar.” Maria do Carmo não sabe a quem recorrer nem o que fazer para resolver a situação.

O pedreiro Sérgio Aparecido Laporte, 51, comprou o terreno na mesma época das vizinhas de bairro, mas apenas se mudou para lá no ano passado. “Por questões financeiras, construí a casa muito devagar, porque junto tive que pagar o financiamento. Por isso, nunca fui registrar a escritura. Agora fiquei sabendo pelos vizinhos que não tem mais jeito. Não sei como agir diante desta situação.”

O LOTEAMENTO
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano, o loteamento que formou o Tropical II tem 1.284 terrenos. Todos os lotes foram formados pela Propar - Projetos, Participações e Empreendimentos S/C Ltda, mas não é possível saber quantos proprietários não possuem escritura. Os terrenos começaram a ser vendidos no início da década de 1990 e as obras de infraestrutura foram totalmente concluídas em 2001. Nenhuma pessoa ligada à empresa foi encontrada para dar esclarecimentos.