Um campo de batalha. Em cena, “soldados” tentam se esconder, como podem, atrás de tambores, caixotes de madeira, carcaças de carros e outras barreiras espalhadas no local para não serem atingidos pelos oponentes. Todos sabem que um tiro é fatal e por esse motivo a tensão e a adrenalina dominam o território. Com todos estrategicamente a postos e munidos com “armas” (chamadas de marcadores), começa o confronto. Correria, gritos e muitos sinais se intercalam ao tiroteio até que surge a primeira vítima que grita “morri!” e deixa o campo com os braços erguidos e a tinta colorida escorrendo pelo corpo.
Logo se nota que o que iremos descrever ao longo desta matéria não se trata de uma guerra real. Nesse confronto, o “soldado morto” sai rindo ou com muita expectativa -ou raiva - para voltar rápido a mais uma missão.
Essa é a dinâmica que cerca o paintball, que com tradução é bola de tinta, esporte que está crescendo e ganha adeptos em Franca e região. Seja entre famílias ou amigos, que fazem do jogo um hobby.
O paintball surgiu nos Estados Unidos e chegou ao Brasil no final dos anos 80. A FPESP (Federação de Paintball do Estado de São Paulo), criada em 2009, possui um cadastro com 1.297 jogadores e 22 equipes federadas divulgadas em seu site oficial. Atualmente há pelo menos três equipes profissionais do esporte em Franca, que participam de jogos regionais e nacionais, e cerca de 300 jogadores amadores, segundo estimativas de Filipe Rigoni, líder da Snake Paintball Team, um dos times de Franca e que também é juiz das provas de paintball.
COMO FUNCIONA
O jogo é aberto para homens e mulheres. A idade sugerida para iniciar é 10 anos. Para competir, é preciso usar um marcador de ar comprimido - “arma” - e nitrogênio ou CO2 que disparam as bolinhas com tintas coloridas. Geralmente, cada equipe carrega sua arma com uma cor de tinta para deixar em evidência quem foi atingido e quem acertou o tiro. A disputa é possível com no mínimo quatro pessoas, dois para cada lado.
Filipe Rigoni disse que o combate pode ser um contra um, grupo contra grupo, contagem de pontos, captura de líder, defesa de território ou captura de bandeira.
Para começar a competição é indispensável o uso dos equipamentos de segurança: máscara (óculos de proteção), protetor de pescoço e o colete. “Orientamos o pessoal que vem se divertir a usar calça de moletom, blusa comprida e um boné [para se proteger bem]”.
No campo instalado no Jardim Ângela Rosa, o Xtreme Paintball, são oferecidos todos os equipamentos de segurança, a munição e os marcadores a partir de R$ 15, com direito a 50 bolinhas por participante. Ganha o jogo a equipe que eliminar os oponentes primeiro. Cada jogo dura aproximadamente dez minutos.
Para viver alguns minutos de guerrilha neste espaço é preciso agendar o horário para a utilização do campo. Filipe, que também é um dos juízes neste espaço, garante que o jogo é seguro respeitando as regras. “Dentro de campo não pode levantar a máscara, entrar sem o colete e nem atirar a queima roupa. Por isso existe sempre alguém com mais experiência para advertir quem por descuido infringir alguma norma.”
Mas, e aí. Dói levar um “tiro” de bolinha de tinta? Os competidores da equipe profissional Marcelo Gomes, 24, Diego Pipper, 26, Ulisses Gabriel, 31 e o próprio Felipe são unânimes em dizer que a adrenalina é tão grande que na hora não se sente nada. “O prazer de jogar é bem maior do que é uma dorzinha”, diz Filipe. Neste caso, os hematomas são os troféus.
Filipe diz que não existem riscos neste esporte, no entanto, assim como todos os esportes de aventura ou radicais, o competidor é obrigado a assinar um termo de responsabilidade e no paintball isso não é diferente.