04 de abril de 2026

De verdureiro a ‘rei’ das pimentas: a história de Luciano da Silva


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O empresário Luciano da Silva, na frente de um “painel” formado por pimentas dentro de garrafas pet, apresenta os produtos que faz em Cássia

Vinagre, sal e pimenta. É com esses três ingredientes que Luciano da Silva Costa ganha a vida em Cássia (MG) desde que transformou uma simples receita de conserva de pimenta, preparada pela mãe, em um negócio lucrativo. A ideia nasceu há oito anos quando o condimento fez sucesso na família e entre os amigos e sua mãe começou a receber pedidos de encomenda. Inicialmente eram produzidos 50 potes por mês, já hoje a Ki-Pimenta é responsável por fabricar dez mil vidros de conservas e comercializá-los nos Estados de São Paulo e Minas Gerais.

Todo o processo de fabricação, incluindo o desembarque da matéria-prima e o depósito dos produtos prontos, acontece em um imóvel construído por Costa ao lado de sua casa, no bairro de Santa Maria, na cidade mineira. Antes de descobrir a produção de conservas, ele trabalhava como comprador de hortifrutis para um supermercado. E foi durante uma das idas ao Ceasa de Ribeirão Preto, que durante a varredura (sobra de produtos), uma porção de pimentas apareceu em seu caminho. “Levei aquele saco de legumes e pimentas para casa e num fim de semana minha mãe preparou uma conserva com as pimentas. Não durou cinco dias.”

A pimenta que deu o pontapé nos negócios foi a dedo de moça, mas com o crescimento e o fortalecimento da empresa, outras pimentas foram incluídas na produção, como bode, biquinho, malagueta e cumbari, além de cebolinha, jurubeba, jiló e até pequi e, claro, o molho de pimenta.

São, ao todo, oito tipos de pimenta e sete opções de embalagens que vão de vidros de 40 gramas até dois quilos. Os preços variam de R$ 2 a R$ 25, conforme o tipo de pimenta e a quantidade. “A biquinho doce, cumbari e a malagueta são as que têm maior saída. Acredito que é em razão do sabor.”

Costa trabalha ao lado da mulher e três funcionários e é o encarregado de buscar as pimentas nos produtores - todos em Minas num raio de 200 quilômetros - e de fazer as entregas das conservas.

A empresa tem também representantes e até pontos de vendas na capital paulista. Em Franca o produto pode ser encontrado em cerca de 60 estabelecimentos, principalmente supermercados. As entregas na cidade acontecem a cada 15 dias. “Quando comecei, vendia só para os conhecidos, depois foram surgindo as encomendas. De cinco anos para cá, o negócio engrenou e pude largar o trabalho no supermercado e ficar só por conta das pimentas.”

Segundo o agora empresário, o segredo do sucesso no negócio está na confiança e no sabor e tempo de conserva das pimentas. “É igual vinho, quanto mais velha melhor.” Ou, como muitos dizem, quanto mais ardida melhor.