Quando Ana Elisa Salinas saiu do Rio de Janeiro em direção a Londres, ela nutria um desejo modesto: “a opinião dos maiores jurados do ramo sobre o meu trabalho”. A competição seria a chance de finalmente ouvir a opinião daqueles que vêm a ser os mais habilitados. Por isso, a medalha de ouro foi recebida de forma humilde e exultante. Pudera! A designer de bolos Ana Elisa foi, de forma inédita, a única brasileira a ganhar um dos mais importantes prêmios do concurso de bolos artísticos do mundo, o NEC - Cake International, realizado na cidade Birmingham, na Inglaterra.
Não se trata de um concurso de beleza apenas, há rigoroso critério de avaliação para se diagnosticar, acima de tudo, a perfeição, nem que seja necessário utilizar-se de lupas e fitas métricas. A proporção entre os objetos de decoração, assim como a realidade das figuras, é que deverão estar bem próximas da perfeição.
Ana Elisa apresentou um bolo, até certo ponto pode parecer singelo, pois ao se pensar em um bolo campeão dentre tantos, de várias partes do mundo, talvez se esperasse algo mais grandioso, monumental até. Mas não, o bolo intitulado de Teddy Bear’s Pijama’s Party (em tradução livre, festa do pijama dos ursinhos), é infantil, pequeno, mas incrivelmente rico em detalhes.
Uma cama ocupa o centro do bolo e em cima dela, embaixo dela, ao lado dela se veem ursinhos espalhados. Um dos jurados muniu-se de lupa de aumento para captar todos os detalhes. E não é que havia um erro imperceptível! O jurado chamou a boleira e lhe mostrou o erro e lhe perguntou se ela poderia ter feito melhor. Ana respondeu sim, que poderia. Penso que a resposta foi acertada pois o bolo foi o medalhista de ouro na sua categoria. Mas não pode concorrer ao prêmio de melhor bolo.
Mas não é só: Ana disputou outra categoria, a dos estrangeiros. Essa categoria pedia a feitura de um bolo que representasse o país de cada um. Ela optou por um bolo enlaçado pelo calçadão da praia de Copacabana no Rio de Janeiro e em cima colocou dois chinelos decorados com motivos do artista pop pernambucano Romero Brito. Com esse bolo ela levou a medalha de prata. Voltou para casa duplamente feliz.
Ana começou a vida de boleira de forma natural. A mãe e vários outros parentes já estavam no ramo da doçaria quando ela decidiu fazer desenho industrial na Universidade Federal do Rio de Janeiro para que seu açúcar ficasse com cara de profissional. E é isso que faz a diferença, pois Ana aplica a lógica matemática para projetar seus bolos -além do artístico, trabalha com a verdade que os números revelam.
O bolo de Ana não é assim tão caro, varia de R$ 11 a R$ 15 por pessoa. Ela é velha conhecida dos artistas cariocas. Angélica e Luciano Huck encomendam bolos com ela, além de Xuxa, Ana Maria Braga e a própria Rede Globo, para os lançamentos de novela.
Para mim, outro detalhe dos bolos de Ana é que fazem a diferença: o gosto. Ela tem muita implicância com aqueles bolos decorados com marzipan, que ninguém come, é bolo para se olhar. Por isso, a massa dos seus bolos é tão importante; e a cobertura é uma mistura leve de gelatina sem sabor e açúcar.
Até hoje quem faz seus bolos é sua mãe e se o pedido do cliente não se harmoniza com a gostosura e maciez da massa, nada feito. Seus bolos continuam sendo a sobremesa da festa, embora fiquem muito bem na foto.
Dica da semana
Bolos
Estou numa fase total amante de bolos. Vai parecer piada para quem me conhece, porque sempre fui louca por bolos. Trocaria, se pudesse, qualquer refeição por uma fatia de bolo. Mas como engordam demais, etc, etc, estou trabalhando novas maneiras, mais saudáveis, para continuar a comer bolo.
Uma boa alternativa que encontrei foi substituir a manteiga pelo azeite, normalmente uma xícara de chá. Em todos que testei deu certo.
Outra boa opção é integrar ao bolo um pouco de farinha integral, aí já é mais complicado porque pode ficar duro. Normalmente qualquer coisa entre 1/3 ou a metade da farinha branca pode ser substituída pela integral. E na hora de untar a forma utilize as duas farinhas se quiser ter um bolo de casca mais crocante.
E utilize ovos caipiras grandes, o bolo fica maior e mais fofo. E outra dica mais difícil e um pouco mais cara: a tal da farinha orgânica. Não é modismo, não é bobagem, o bolo e o pão agradecerão. Principalmente o pão, alguns, mais elaborados, os tais de cascas grossas só dão certo com a farinha orgânica.
Quanto às decorações de bolos nada posso falar, porque sou completamente incompetente, certamente vocês são melhores que eu.