A mata que “abraça” o Jardim Pulicano, extremo leste de Franca, pouco a pouco vem se transformando no maior vilão do bairro. Na rua Cândido Norberto, por exemplo, pelo menos seis casas foram invadidas por bandidos que se escondem e usam uma mata para fugir principalmente com eletrônicos. O local é área de preservação permanente.
Na casa do sapateiro Anderson da Silva de Paula, 31, furtada na manhã do último dia 3, os bandidos levaram até os ovos de páscoa de sua filha, uma menina de 7 anos. “Tudo indica que eles fogem pela mata. Quando vi as marcas dos pés no muro da minha casa, percebi que elas apontavam para lá”, explicou o morador, que assim que viu a porta da cozinha arrombada ligou para o 190.
Três horas mais tarde, uma viatura da Polícia Militar encostou na rua com dois indivíduos suspeitos flagrados próximo à rodovia Nelson Nogueira. Os homens, estavam a pé e carregavam todos os objetos levados da casa do sapateiro. Eles foram presos em flagrante, autuados por furto qualificado e encaminhados para o CDP (Centro de Detenção Provisório). Os eletrônicos foram devolvidos.
Entretanto nem todos os casos tiveram final feliz. Uma semana antes, a promotora de vendas, Joyce Aparecida Santos Carvalho, 27, também teve sua casa invadida após arrombamento e furtada. Ela desconfia que os bandidos, escondidos entre as árvores da mata, observam os hábitos dos moradores e esperam até que a “barra esteja limpa” para agir.
Assustada, a moradora alega que estourou o orçamento da família para poder instalar câmeras de segurança e cercas elétricas. “Desconfio, que eles estavam com pressa quando entraram, porque percebi sinais de arrombamento na janela, mas como tem o reforço das grades, eles foram para a porta. Gastei mais de R$ 1 mil que eu nem podia ter gasto, mas como moro sozinha e tenho criança pequena, tenho medo”. Na ocasião, ela chamou a polícia, mas desta vez, os bandidos foram mais rápidos. Inconformada em fazer apenas o registro da ocorrência, a mulher pediu um conselho ao policial. “Ele me perguntou se eu tinha seguro”. Outras quatro casas foram apontadas por moradores como assaltadas. As vítimas registraram boletins de ocorrência.
A Polícia Civil está ciente da situação e estuda alternativas para contornar o problema (leia mais nesta página). Sugestões já existem. O motorista Jonilson Rosa Maia, 27, apresenta uma alternativa. “A mata é visível para os bandidos e invisível para nós. Se a prefeitura fizesse o cercamento da área com alambrado e colocasse uma calçada para caminhada, durante o dia as próprias pessoas poderiam vigiar o local, pois haveria movimento”.
Segundo resposta do secretário de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, as áreas de preservação do município, por força de lei ambiental, devem ser somente preservadas, conservadas e cercadas. Atualmente, a região conta com cerca de arame farpado, mas a Prefeitura, através da mesma secretaria, informou que vem gradativamente executando as melhorias ambientais necessárias.