O Salão de Abril de Belas Artes premiou, durante um coquetel na noite da última quarta-feira, os vencedores de sua 29ª edição. Expostas na Feac até o dia 30/04, as 13 obras vencedoras do concurso - que contou com 90 peças inscritas - chamam a atenção pela qualidade técnica. Neste ano a organização escolheu jurados que primaram pelo estilo acadêmico. “Tomara que essa iniciativa que foi retomada não morra”, disse o vencedor, Paulo Tosta, de Jaboticabal.
Cid Pires de Carvalho, Fabíola Giraldi e Maria de Lourdes Mantovani, que compuseram a banca examinadora, escolheram respectivamente as telas Olhar Angelical (Paulo Tosta, de Jaboticabal), Flor Amarela (Glaudemir, de Franca) e Batalha de Tralfagar (Biordo, de Franca) como as três primeiras colocadas do Salão. “Escolhemos um júri imparcial, fora de Franca, que não teve contato com os concorrentes. Temos na cidade ótimos artistas que poderiam ter composto a banca avaliadora, mas quisemos um olhar neutro”, esclareceu a diretora da divisão de Arte e Cultura de Franca, Karina Gera. “Mas não foi uma elitização do Salão. Quisemos profissionalizar o Salão, de acordo com aquilo que os próprios artistas nos pediram”, completou. Enquanto, segundo Karina, alguns artistas pediam por mudanças, outros não aprovaram o novo método de avaliação. “Eu acho muito errado selecionar por foto. Tem que ser direto pelas obras. Tem é que ver o trabalho da pessoa”, disse Dalva Machado, artista plástica que concorreu mas não foi selecionada para expor. “O artista, às vezes, não tem condição de pagar um fotógrafo profissional para tirar uma foto. Você acha que uma foto impressa vai ficar tão boa quanto o meu quadro? Nunca! Eu acho errado”, concluiu.
O EVENTO
Por volta das 20 horas da última quarta, o público que prestigiou a entrega de prêmios do 29º Salão de Abril de Belas Artes, na Feac, foi recepcionado em um espaço decorado com tecidos, luzes e telas. O clima de cumplicidade, já característico de alguns encontros culturais da cidade, se instalou entre as cerca de 100 pessoas presentes. “Achei as obras maravilhosas. O festival é um grande incentivo para a nossa cultura, um momento para confraternizar”, disse o comerciante Paulo Henrique Ravagnani.
Passado o momento de interação, a organização concentrou as atenções na entrega dos troféus. Animado, o patrono do Salão, Walter Bortolato, foi o centro de todos os olhares. Para deixar claro sua vitalidade aos 92 anos, saltitou entre os convidados refletindo sua satisfação com a noite: “Eu gosto é de bagunça!”.