A Prefeitura de Franca vai abrir concorrência pública para realizar serviços de combate a enchentes na calha do córrego Cubatão, nas proximidades do Fórum. A decisão foi anunciada pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) durante evento de prestação de contas dos 100 dias de governo, realizado ontem. O anúncio deverá ressuscitar a polêmica sobre a construção do viaduto “Dona Quita”, inaugurado há menos de um mês. A falha no projeto original atrasou a conclusão da obra e motivou a abertura de investigações no Ministério Público e na Câmara Municipal. O conserto custará entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões aos cofres públicos.
O serviço deveria ter sido feito junto com as obras de construção do viaduto. Em mensagem encaminhada à Câmara, em dezembro de 2011, em que pediu autorização dos vereadores para abrir crédito no orçamento total no valor de R$ 9,7 milhões para pagar os serviços, o ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB) afirmou que havia determinado que fossem feitas modificações no projeto original, visando alargar o canal do córrego para facilitar a vazão.
Em novembro de 2012, com o viaduto em fase de conclusão, engenheiros da Prefeitura e da Leão Engenharia afirmaram ao Comércio que o alargamento não estava previsto no projeto e que o serviço deveria ser feito para evitar problemas futuros. No mesmo mês, a informação foi prestada a uma Comissão Especial da Câmara com a recomendação de que o ideal seria aproveitar o momento em que o local já estava interditado e realizar o alargamento da forma mais rápida e barata. “Se a nova licitação for feita apenas depois de concluídas as obras do viaduto, haverá prejuízo quanto à construção da ponte escantilhada”, alertou o engenheiro Eri Pereira.
A Prefeitura cogitou a possibilidade de fazer as obras por meio de um termo de aditamento à construção do viaduto, o que acabou sendo alvo de um inquérito civil aberto pelo promotor de Justiça, Paulo Borges. Com a ofensiva do MP, Sidnei desistiu do alargamento e o viaduto foi entregue sem a correção. Na época, o serviço estava avaliado em R$ 2,3 milhões.
Ontem, Alexandre disse que o problema tem que ser resolvido e que irá abrir licitação nos próximos meses para ampliar a calha do Córrego num trecho de aproximadamente 150 metros entre o Uni-Facef e o prédio onde ficava a Rofaso. “É preciso aumentar a vazão do córrego naquela região. Queremos criar condições da água passar por baixo do viaduto com fluência. Ao mesmo tempo, vamos melhorar as condições de escoamento da água de chuva, especialmente, que desce pela avenida Major Nicácio.”
O prefeito negou que as obras não foram realizadas antes por falhas no projeto. Ele acredita que não haverá prejuízo ao serviço já concluído. “São obras importantes que precisam ser feitas e que, infelizmente, por causas financeiras, não conseguimos fazer na gestão do Sidnei. Não haverá interferência na ponte, mesmo porque ela já foi construída com espaço maior, além das paredes do córrego.”
O prefeito também anunciou que espera concluir ainda este ano o projeto para construir outro viaduto na avenida Champagnat e afirmou ter encomendado estudo para indicar ações de melhoria do fluxo de veículos na rotatória do bairro São Joaquim.