A UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila São Sebastião está em estado caótico. Para os pacientes do local, reclamações não faltam. Demora no atendimento, curta duração nas consultas, falta de médicos, superlotação, pouca ventilação, pouca limpeza nos banheiros e falta de segurança são apenas algumas das queixas dos usuários da unidade. A unidade deverá ser reformada.
O Comércio visitou a UBS na semana passada e constatou uma superlotação do local, com muitos usuários esperando por atendimento médico ou medicamentos. No meio da confusão, um cachorro ia e vinha constantemente, também levando os pacientes a questionarem as condições higiênicas do local.
A dona de casa Alessandra Fernandes da Silva, 35, moradora do Jardim Bonsucesso, era uma das mais revoltadas com a situação. “Há uma demanda muito grande de usuários e poucos médicos para atendê-los. A estrutura do prédio não comporta tantas pessoas, não tem ventilador e, com o número grande de usuários, nem lugar para sentar. Queremos um tratamento digno.”
Outra reclamação é sobre a demora para agendar consultas. “Elas são marcadas para um ou dois meses depois. Aí, do que adianta marcar para tão longe? Quando você chega para a consulta, também demora uma hora ou mais para ser atendido”, disse a pespontadeira Aparecida da Silva, 38, da Vila São Sebastião.
Para quem quer se tratar com dentista, também há obstáculos. Pacientes afirmaram que o profissional só atende 30 pessoas ao mês, sendo 10 crianças, 10 adolescentes e 10 adultos. E um novo paciente só é admitido quando um usuário finaliza o tratamento odontológico.
Já a coladeira de peças Kauanna de Souza, 26, grávida de dois meses, reivindica prioridade na fila, além de consultas mais longas com os profissionais da saúde. “Você não fica nem dez minutos no consultório. Ele [o médico] te benze e te manda embora.”
ESTRUTURA
Todas as áreas da UBS são protegidas por um sistema de alarmes. Segundo Alessandra, a exceção são duas salas anexas - uma cozinha e uma sala de atendimento psicológico. Esta última estava sem porta na semana passada. Segundo a dona de casa, é a sétima vez que isso acontece. “Isso aqui é do povo, não tem cabimento umas coisas dessas.”
A pespontadeira Cleia de Oliveira, 42, prefere criticar a estrutura do local. “O banheiro feminino está todo sujo, com até fraldas caindo no chão, é um fedor que não dá nem para entrar. Não tem papel higiênico, você tem que trazer de casa.”
Apesar das críticas, a maioria dos usuários da UBS elogia os funcionários do local. A exceção é a dona de casa Ramira Silva, 73. “Quando termina a consulta, eles já mandam a gente sair para entrar outra. Tem vezes que eu saio chorando daqui, porque fico nervosa. Quem não fica, né?”, afirma.
Na opinião dos usuários, a solução para as dificuldades seria a criação de uma nova UBS ou a ampliação da unidade existente. “Ao lado da UBS, tem uma praça. A gente não precisa de praça, e sim de espaço para atender o povo”, sugere a costureira aposentada Cleusa Stefani, 60.
Pacientes aguardam atendimento na UBS enquanto cachorro circula pelo local