O depoimento considerado essencial para apurar a morte da babá Natalia Dias Almeida, 41, ocorrida na madrugada de segunda-feira, pode não ajudar a polícia. O operador de máquinas Weder Passos Faria, 36, morador da Vila Santos Dumont, piloto da moto onde Natalia viajava como passageira, em entrevista ao Comércio disse não se lembrar do duplo acidente.
“Eu estava na rodovia e senti algo pelas costas. Daí eu não me lembro de mais nada do acontecido, por que eu apaguei também. Só acordei quando chegou o resgate. Eles me pegando, eu desesperado, não sabendo o que estava acontecendo, fiquei meio atordoado”, disse Faria.
O desastre ocorreu por volta das 2 horas, na altura do km 397 da Rodovia Cândido Portinari. As investigações conduzidas pelo 1º Distrito Policial apuraram que Natalia, que residia no Jardim Aeroporto II, estava na garupa da moto pilotada por Faria. A moto foi atingida na traseira pelo Fiat Strada conduzido pelo auxiliar administrativo Cleverson Dias de Oliveira Júnior, 22, do Progresso - ele fugiu do local, mas foi localizado e indiciado na tarde de terça-feira. Um terceiro veículo teria atropelado e arrastado o corpo da babá por cerca de 10 metros. A polícia trabalha para identificar o condutor, que também fugiu. Oliveira Júnior disse que deixou o local por pensar tratar-se de um assalto.
O operador, que deve prestar depoimento amanhã, disse que conhecia Natalia há mais de um ano. No domingo, ele a convidou para saírem. “Fazia uns dois, três meses que eu não a via. A gente combinou de sair, dar um volta. Fomos para a minha casa e da minha casa fui levar ela embora.” Faria negou ter ingerido bebida alcoólica naquela noite.
Durante o trajeto pela Portinari, o condutor da moto garantiu que não estava correndo. “Eu devia estar a uns 70 km/h. Eu não ando correndo.” Ele disse que sempre transita ao lado do acostamento e que nunca anda no meio da pista. Faria também negou que estivesse realizando ultrapassagem ou ziguezagueando. “Eu estava sozinho. Não tinha ninguém na pista. De uma hora para outra apareceu isto e aconteceu o que aconteceu comigo.”
Socorrido, Faria ficou sabendo da morte de Natalia na Santa Casa, ao receber alta. “Quando eles foram me liberar, o próprio médico chegou em mim e falou do óbito dela. Foi uma momento muito triste. Estou muito magoado, muito sentido e abalado”, garantiu. Ele mora sozinho, não tem irmãos, e está recebendo ajuda de parentes do Jardim Califórnia.
A notícia de que a polícia havia identificado na terça-feira o condutor do veículo que atingiu a moto, Faria só ficou sabendo através das páginas do Comércio da Franca. Perguntado se ele teria algo a falar ao jovem motorista de 22 anos que atingiu sua moto, o operador foi simples e rápido: “Eu não tenho palavras para responder a esta pergunta.”
A moto de Weder Faria teve sua traseira bastante danificada depois do desastre em rodovia na última segunda-feira