Voltamos à questão da inflação. Esse dragão que conseguimos aniquilar em 1994, vem nos atormentar novamente com aparente complacência das autoridades monetárias. E junto com a inusitada elevação dos preços, vieram acanhados resultados macroeconômicos, que nos deixaram na rabeira entre os chamados Bric’s (Brasil, Rússia, Índia, China e, mais recentemente, África do Sul) e entre alguns países da América Latina tais como Chile, Colômbia, Peru, México. Todos estes tiveram desempenho melhor que o Brasil, seja em termos de controle da inflação, como de crescimento do PIB.
O que estaria acontecendo com a economia brasileira? É a pergunta do brasileiro comum, certo de que vivíamos no melhor dos mundos.
Nossa política econômica, eivada de casuísmos, inscreve-se como uma das principais razões. É o sobe-desce das taxas de juros (a taxa básica, SELIC, está hoje em 7,25%): vai permanecer como está? Vai subir? Até os economistas se perguntam: no caso brasileiro, coíbe-se a alta de preços com a simples elevação da taxa de juros? Há (sérias) dúvidas a respeito.
Por seu lado, as desonerações fiscais estão no mesmo caminho: reconhece-se, por vias transversas, que parte dos problemas econômicos brasileiros é devido à pesada carga tributária, sem correspondente melhoria na efetividade e na produtividade da máquina.
Não se fala mais de uma reforma tributária, capaz de nos colocar em um patamar civilizado de tributação. É sempre o remendo, o casuísmo, o ‘puxadinho’, enfim. Enquanto isso, o Estado cresce em tamanho (acaba de ser criado o 39º. ministério e mais despesas) e, assim, em qualquer situação na qual se examinam os fatos, isto quer dizer mais gastos, mais despesas, sem se vislumbrar resultados no curto e médio prazos.
Os preços, por seu lado, vão subindo e os números obtidos estão ‘fora do centro da meta’ estabelecida pelo Banco Central. Em 2012, como em vários anos anteriores, a meta era de 4,5%, admitindo-se uma variação de 2,0% para baixo ou para cima. Chegamos a 5,84%. O PIB projetado deveria crescer 4%, ficou em 0,9%.
Agora nos dois primeiros meses do ano, o IPCA chegou a 1,47%, já superando a meta. Para o PIB as previsões não são animadoras.
Há falta de foco na gestão da economia brasileira. E na fixação das metas de inflação há falta de ambição e rigor. Há anos elas são iguais. Nós brasileiros, estamos atônitos, pois, é o nosso bolso que está falando: os dias do mês que nossa renda familiar suporta estão diminuindo.
E o vilão, desta vez, é o tomate que, de acordo com o IPC-S, da FGV, aumentou 168,05% nos últimos 12 meses; na CEAGESP, em São Paulo, o preço no atacado, em fevereiro, chegou a R$ 4,11/kg, o dobro do ano passado. Depois da Páscoa, o produto passou a custar R$ 12/kg nos supermercados.
Carga tributária excessiva, pouco rigor no estabelecimento das metas de inflação, inexpressivas taxas de formação de capital, fruto da carência de investimentos produtivos; máquina estatal obesa e sem sinal de dieta pela proa, gestores não muito competentes, que ‘desperdiçam’ recursos escassos são males que acabam resultando na inflação do tomate. Que é um pepino!
Vicente de Paula Oliveira
Economista