08 de julho de 2026

Fim da fusão


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Nos últimos tempos, a fusão entre empresas do mesmo ramo transformou-se em uma realidade incontestável. Já vimos isso acontecer com os bancos, supermercados, indústrias de cimento e grandes lojas de departamentos. No caso dos negócios da saúde, a economia proporcionada pela escala de serviços passou a ser fundamental, uma vez que a regulamentação que exige que praticamente todas as enfermidades sejam cobertas pelos planos acabou deixando o custo quase inviável. Há tratamentos como câncer, transplantes, cirurgias cardíacas, internações de longo prazo em UTIs que consomem milhares de reais, enquanto o usuário paga valores relativamente modestos pela cobertura que tem direito a receber. O único jeito de minimizar isso, do ponto de vista da empresa, é ganhar escala para diluir os custos.

Para além de grandes grupos, como a Amil, por exemplo, que em cerca de dois anos adquiriu vários grupos de assistência à saúde, também em Franca foi possível perceber esse tipo de movimentação. Já no início de 2011, Unimed e Regional anunciaram a fusão de suas operações, um negócio que se transformaria na maior operação financeira do setor da saúde em toda a região, avaliado em cerca de R$ 45 milhões.

Nessa última quarta-feira, no entanto, o negócio foi vetado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). De nada adiantaram os esforços feitos para unir os dois hospitais, especificar os serviços de cada unidade, aperfeiçoar os processos operacionais e administrativos e esclarecer a população sobre os novos procedimentos. A partir de agora, toda a fusão terá que ser revertida. Os dois grupos ainda não sabem como farão isso exatamente, mas já avisaram que não vão recorrer da decisão.

Resta aos francanos torcerem para que não haja confusão no que diz respeito à utilização de seus planos de saúde e dos hospitais. Mas, para além dessa eventual confusão, fica para a população a incerteza quanto à excelência dos serviços de saúde em função dessa decisão do Cade. Afinal, tanto a Unimed como o Regional consideraram a fusão como um caminho para conseguirem manter a qualidade dos serviços já oferecidos, claro, mas, também, expandir esses serviços, trazendo para a cidade procedimentos que hoje só são possíveis em Ribeirão Preto, por exemplo.

Se por um lado poderia haver o risco do monopólio, como avaliou o Cade, por outro, o veto acaba gerando insegurança para os clientes dos planos de saúde, uma vez que a fusão permitiria a escala necessária para enfrentar os altos custos que representa a atuação na área da saúde.