10 de julho de 2026

Nova lei das domésticas faz agenda de diaristas lotar e até dobrar


| Tempo de leitura: 3 min
A diarista Silvana Rodrigues Sanches, 40, já sentiu os reflexos da entrada em vigor das novas regras para as domésticas

As novas regras para a contratação dos serviços de empregadas domésticas não beneficiaram apenas quem trabalha como mensalistas. As faxineiras também estão comemorando. Como a nova lei encarece a contratação de empregados registrados, a procura pelos serviços de quem trabalha por dia cresceu. E muito. Em alguns casos, mais que dobrou.

Simone Cristina dos Santos, de 41 anos, mãe de quatro filhos e moradora na Vila Aparecida, trabalha como diarista há 25 anos e nunca teve a agenda tão cheia como na semana passada e nas próximas. “Estou trabalhando muito. Tem dia em que faço três turnos: manhã, tarde e noite. E meu telefone não para de tocar”, disse.

Para ela, a procura por seus serviços está diretamente ligada à nova legislação. “Essa loucura começou nesta semana. Acho que por causa da nova lei das domésticas. Antes eu tinha até dias livres. Agora está difícil arranjar um tempo para cuidar das minhas coisas.” Além das casas de família, Simone também tem sido procurada por lojas e empresas, o que não acontecia antes.

Em média, ela cobra R$ 80 por faxina. Apesar do aumento na procura, Simone ainda não pensa em aumentar o preço dos seus serviços. “Por enquanto, vou continuar assim. Neste mês, estou com os dias cheios e vou ganhar bem.”

A diarista Silvana Rodrigues Sanches, de 40 anos, mãe de três filhos, também já sentiu os reflexos da entrada em vigor das novas regras para as domésticas. Antes, ela trabalhava três vezes por semana, mas a partir desta segunda-feira, estará com todos os seus dias tomados. “Já tenho faxina agendada até sábado. E ainda existem clientes me ligando. Para mim, essa nova lei foi muito boa.” Como Simone, ela também não pensa em mexer em seus preços, pelo menos por enquanto.

Maria Lúcia Ferreira, de 50 anos, mãe de quatro filhos e moradora do Jardim Aeroporto 3, também não tem mais espaço em sua agenda para atender os clientes. “Depois que a nova lei começou a ser divulgada, meu telefone não parou. Uma cliente indicava a outra e agora vou trabalhar até de sábado, coisa que não fazia”, disse. Na média, ela cobra R$ 70 por faxina.

Apesar do grande aumento na procura registrado pelas diaristas, na Agência de Serviços Domésticos, que funciona em Franca há 24 anos, a contratação de faxineiras ainda não cresceu muito. “Acho que é porque ainda existem itens na lei que ainda não foram regulamentados. Nesta semana, acredito que o aumento foi de uns 10%. Mas acho que isso deva subir daqui uns três meses quando tudo já estará em vigor”, disse a proprietária da agência, Elza Pedro. A agência intermedia de 150 a 200 faxinas por mês.

No Sindicato de Trabalhadoras Domésticas de Franca e Região, a procura por diaristas ainda não registrou aumento. “As pessoas têm vindo até aqui mais para esclarecer dúvidas do que para procurar diaristas ou empregadas mensalistas”, disse Rosa Maria Mota de Jesus, presidente da entidade (leia texto nesta página).

Mesmo com o crescimento da procura por diaristas e dos custos para contratação de mensalistas, a presidente do Sindicato disse que ainda não foi registrada nenhuma demissão.

Clique na imagem para ampliar: