08 de julho de 2026

Uma difícil solução


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Como ocorreu anteriormente em construções abandonadas em Franca — como o ‘piscinão’ da Major Nicácio ou o ‘esqueleto’ do Parque Francal -, hoje acontece no clube símbolo de Franca, próximo de completar seus 60 anos e cujo ginásio já foi templo do basquete francano: as instalações do Clube dos Bagres, na rua General Carneiro, foram invadidas por moradores de ruas e usuários de entorpecentes. Vestiários, construções inacabadas e áreas cobertas viraram dormitórios e ‘mocós’ para o consumo de drogas. É uma situação que perdura e, mesmo com a ação dos órgãos oficiais — Prefeitura e Polícia Militar — nunca acaba, apenas muda de endereço.

É um problema social de difícil solução, pelo menos em curto prazo. Enquanto não se olhar o que vem acontecendo com a seriedade que o problema merece, dificilmente será possível a adoção de instrumentos que viabilizem não apenas a preservação do patrimônio mas também a recuperação destes elementos que causam medo e trazem preocupação para os moradores das vizinhanças. Além de se criarem condições para o tratamento dos viciados de forma obrigatória, sem necessitar de sua anuência, há de se implementarem ações sociais que promovam a inserção dos moradores de rua no seio da sociedade, proporcionando-lhes condições de prover a própria subsistência. Neste caso, só dar o dinheiro ou expulsá-los não resolve de forma definitiva. Eles acabam se alojando em outro lugar.

Uma situação parecida ocorre, historicamente, no caso da prostituição. A atividade se espalhou e hoje toma conta de uma das mais tradicionais vias da cidade: a Avenida Brasil. Dia após dia é possível ver travestis e garotas de programa transitando ao longo do logradouro em busca de clientes. Moradores da região reclamam por conta do constrangimento e, também, temem atos violentos. A cena também é vista na Avenida Presidente Vargas e na Avenida Integração (esta na Estação). Antes a ação era concentrada em poucos lugares, mas quando são incomodados pela polícia, deixam um local e migram para outro. Antes restrito a apenas uma região da cidade, o fenômeno hoje se espalha por outros pontos.

O que se exige é uma ação efetiva do Poder Público nestes dois casos. A população francana, que acompanha os avanços - dos moradores de rua, dos viciados e das prostitutas - em diversos pontos da cidade, não tolera mais medidas paliativas, apenas transferindo-se o problema sem que se encontre uma solução. Se nada for feito agora, a situação pode chegar a um ponto sem volta e levar a um estado insuportável para quem hoje já é obrigado a conviver com a violência crescente. Continuando assim, certamente estaremos condenados a viver mais confinados na segurança de nossas residências a cada dia mais fortificadas e nem sempre realmente protegidas.