08 de julho de 2026

Melhora a mira


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Já escrevi sobre o perigo que os asteróides representam para a vida na Terra, em especial o meteoro que atingiu a região da Sibéria em 1908. Para este tipo de evento existe previsão de que um atinja a Terra a cada 100 anos.

A estatística não negou. Em 15 de fevereiro deste ano a cidade russa de Tcheliabinsk foi atingida pela explosão de um meteoro que provocou ferimentos em 1,2 mil pessoas, entre as quais, 200 crianças. A explosão causada pela entrada do meteoro na atmosfera atingiu prédios e destruiu vidraças. Os prejuízos foram estimados em US$ 33 milhões.

Inicialmente, o meteoro foi relacionado com o asteróide de passava perto da Terra no mesmo momento. Incrível coincidência. Acredita-se que pesasse sete toneladas antes de atingir a atmosfera. A explosão atingiu cerca de dez quarteirões, causando danos em cerca de 3 mil prédios.

Tcheliabinsk tem mais de um milhão de habitantes e fica cerca de 1,5 mil quilômetros a leste de Moscou. Dado curioso é que na região, relativamente próximo a Tunguska, há várias indústrias militares, sendo que algumas produzem armas nucleares. Nenhum incidente grave foi relatado.

Uma outra curiosidade foi a grande quantidade de registros do evento em câmaras de vídeo. Foi o evento mais registrado da história, isso devido ao fato que há muitas câmeras de vigilância nos carros russos. Motoristas usam as filmagens dos veículos como prova em demandas judiciais contra seguradoras devido ao excesso de acidentes, por causa das estradas de má qualidade e motoristas alcoolizados. Uma boa ideia para os carros do Brasil que trafegam nas péssimas estradas federais.

Fato preocupante é que o meteoro teve o impacto semelhante ao de uma arma nuclear. Um instrumento usado para testes de armas nucleares indicou que a explosão foi equivalente a uma bomba nuclear de 300 quilotons de energia. O meteoro de Tunguska, na Sibéria, em 1908, destruiu 2 mil quilômetros quadrados de bosques, um poder destrutivo avaliado em cerca de 20 megatons.

O tremor causado em Tcheliabinsk foi equivalente ao de um terremoto de magnitude 2,7 na escala Richter. E, o fato mais grave, o meteoro não foi detectado por nenhum dos sistemas de monitoramento que existe, isso por ser pequeno e por ter entrado durante o dia.

De qualquer forma, considerando que mais cedo ou mais tarde seremos alvos de algum asteróide, vemos que a humanidade anda muito negligente no estudo e observação dessas ameaças espaciais.

O meteoro também é responsável por uma nova oportunidade de negócio. Os meteoritos, oriundos da explosão do meteoro na atmosfera, podem valer muito mais que o ouro. Nos dias seguintes ao evento, mais de 20 mil pessoas foram procurar os restos. Nessa aventura, os cientistas da Universidade Federal dos Urais foram os primeiros a descobrir fragmentos, 53 no total.

Um político russo sugeriu que deveríamos acabar com as guerras e criar um sistema conjunto de defesa contra os asteróides. Isso me lembra aquele seriado de 1970, UFO, em que diversas nações uniram-se para construir um sistema de defesa espacial estacionado na Lua. Talvez um inimigo comum seja o que a humanidade precise.

Mário Eugênio Saturno
Tecnologista do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais