A garota Ana Laura Alves, 11 anos, que emocionou a população de Franca durante sua luta contra a leucemia linfoide aguda, morreu ontem, terça-feira. O drama de Ana Laura motivou sua família a realizar uma campanha de doação de medula óssea para tentar salvá-la. Para ela não houve tempo. A medula chegou tarde. Depois de mais de um ano e meio lutando, a medula chegou na segunda-feira, véspera da morte da pequena Ana Laura. A dor pela perda de Ana Laura não tem atenuantes. Mas a família tem um pequeno alento. A campanha da qual Ana Laura foi símbolo alcançou resultados extraordinários. O número de cadastros de doadores de médula óssea no Hemocentro de Franca aumentou em cinco vezes: pulou de uma média de 180 cadastros mensais para 956 cadastros no mês passado. Para os familiares, a história de Ana Laura deixou um marco importante: a conscientização de que é preciso doar para salvar vidas.
O transplante de medula é maior esperança de cura para pacientes que possuem doenças que afetem o sistema sanguíneo e imunológico, como a leucemia. Foi por essa razão que, na última segunda-feira, Maralaine Alves e Anderson Carlos da Silva, pais de Ana Laura, tiveram o ânimo renovado: o médico avisou que um doador compatível havia sido achado. Só não informou em que lugar do País o “anjo da guarda” da menina estaria. Não houve tempo. Às 2h30 de ontem, a pequena guerreira teve morte confirmada, após uma insuficiência respiratória na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) da Santa Casa de Franca. Ana não teve tempo de receber mais uma chance para viver.
Segundo o hematologista do Hemocentro de Franca, Marco Benedetti, além dos cadastros apra doação de medula, as doações de sangue também apresentaram aumento e 1.580 pessoas doaram sangue em março deste ano. Mais do que o índice de 1.100 doadores por mês, apresentado nos anos anteriores.
A campanha, encabeçada pelos familiares de Ana Laura e amigos, que estimulava as pessoas a procurarem o Hemocentro, teve início em fevereiro. Alguns amigos espalharam cartazes, faixas, panfletos, camisetas, além de criarem um grupo no Facebook, tudo para conseguir um doador compatível para a criança. A iniciativa causou grande comoção e muitos aderiram. Em fevereiro, 794 pessoas procuraram o Hemocentro da cidade e se cadastraram no banco de medulas, na tentativa de salvar a garota. Só na primeira semana do mês passado, cem pessoas foram a unidade de saúde também para serem doadores.
DOR E DESPEDIDA
O diagnóstico sobre o quadro de saúde de Ana Laura saiu em 15 de julho de 2011, depois de sofrer com fortes dores no corpo, febre alta e perder o movimento das pernas. A notícia de que a menina estava com leucemia linfoide aguda abalou a família. A primeira etapa do tratamento durou um ano e meio, e a doença entrou no período de remissão e manutenção, quando não está mais presente no sangue.
Porém, em seis meses, Ana Laura voltou a sentir os sintomas da leucemia e, após alguns exames médicos, a volta da doença foi confirmada. Recomeçava a luta da garota. Desde a semana passada, o quadro clínico complicou ainda mais e a criança entrou em coma induzido.
A morte abalou familiares, amigos e até desconhecidos. Centenas foram à sala 6 do Velório São Vicente de Paulo, na manhã e tarde de ontem, prestar as últimas homenagens à garota que mobilizou Franca. Dezenas de carros acompanharam o cortejo até o Cemitério Jardim das Oliveiras, onde Ana foi enterrada por volta das 16h30, com serviços da Funerária Santa Bárbara.
Uma salva de palmas antecedeu a descida do caixão da garota. Muitos choraram. Anderson Carlos da Silva, emocionado, deixou sua mensagem. “Quero agradecer a todos que nos ajudaram. Aos profissionais da saúde que estiveram com ela o tempo todo. Sem eles ela não teria chegado aonde chegou. Quero agradecer também a todos que disponibilizaram seu tempo e foram ao Hemocentro”, disse o pai à reportagem. A intenção, agora, é continuar a campanha, para que “outras vidas sejam salvas”.