10 de julho de 2026

ONG recolhe animais doentes em canil de chácara na zona rural


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A empresária Aleni Papacídero passa pomada no olho de um dos Shih Tzu em sua clínica

Representantes da ONG (Organização Não Governamental) Nuance, com o apoio da Polícia Militar de Franca, retiraram um gato e quatro cachorros (três machos da raça Shih Tzu e uma fêmea da raça Pinscher) de um canil localizado às margens do quilômetro 7 da rodovia Nestor Nogueira, entre Franca e Ribeirão Corrente.

Segundo o advogado da ONG, Jean Marcelly Rodrigues Rosa, e a empresária Aleni Papacidero, que está cuidando dos cães, os animais estavam sendo vítimas de maus-tratos e estão doentes. Ainda segundo os dois, os animais foram entregues com o consentimento de uma jovem de 17 anos, filha da dona do canil.

As primeiras denúncias sobre o local teriam sido feitas há oito meses, por um cunhado da dona do canil. “Ele disse que eles tinham cerca de 40 cachorros vivendo em uma jaula e sem nenhum cuidado. Comunicamos a Vigilância Sanitária. Eles foram lá e notificaram a pessoa, mas providência alguma foi tomada para reduzir o sofrimento dos animais”, disse Aleni.

José Conrado Neto, chefe da Vigilância de Franca, confirmou que, à época, uma inspeção foi feita no local por uma veterinária e que foi constatada má higiene - inclusive com criadouros do mosquito da dengue -, mas que os animais estavam em boas condições. A proprietária foi notificada, foi dado um prazo de dez dias e a limpeza foi feita. A dona do canil, segundo Neto, também teria se comprometido a castrar os animais.

Na semana passada, novas denúncias foram feitas à ONG e, na sexta-feira, nova inspeção foi feita, com o apoio da PM. “Com os próprios funcionários do local, solicitamos a autorização para retirar quatro animais”, disse o advogado. Ainda segundo a denúncia, os animais seriam usados para reprodução e venda. Cada filhote custaria em torno de R$ 1.500.

Aleni acolheu os animais na clínica da Associação “É o Bicho”. Os animais apresentam infecções por carrapatos, hérnias expostas e ressecamento dos olhos. Os tratamentos paliativos giram em torno de R$ 2 mil, segundo Aleni. O gato foi adotado no fim de semana e conseguiu um novo lar. Jean Marcelly aguarda o laudo de um veterinário para encaminhar o caso para o Ministério Público.

SEM RESPOSTA
A reportagem esteve no canil na manhã de ontem. A proprietária não quis dar entrevistas nem autorizou o acesso da reportagem. A comerciante forneceu o telefone para contato posterior, mas não foi encontrada para falar sobre o caso no fim da tarde de ontem.