O Filho do Deus vivo
O Senhor Jesus é muito sábio. Para alimentar a multidão, Ele a fez assentar-se em ordem sobre a relva verde, em grupos de cem e de cinqüenta. A igreja é exatamente o ajuntamento daqueles que creram, a reunião dos que foram salvos pela graça e chamados para fora de onde estavam, por isso eles são a eklesía (Mt 16:18).
Quando o Senhor quis revelar a Pedro a respeito da igreja, Ele não escolheu Jerusalém. Se Ele não escolheu Jerusalém. Se Ele revelasse a igreja ali, haveria a possibilidade de Seus discípulos receberem algo mesclado com a tradição humana e religiosa. Cada um poderia ter sua própria interpretação ou maneira de ver. Por isso o Senhor os levou para Cesaréia de Filipe (Mt 16:13ª), na base do monte Hermom. Aquele era o lugar adequado para o Senhor revelar a Seus discípulos o que desejava, sem interferência da densa atmosfera religiosa de Jerusalém.
Ali o Senhor ajuntou Seus discípulos e lhes perguntou sobre o que o povo dizia acerca Dele como o Filho do Homem.
A resposta foi: ‘Uns dizem: João Batista; outros; Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas, alguém que falava por Deus. O Senhor , porém, não ficou satisfeito com essa resposta e prosseguiu: ‘Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?’ (v. 15). Pedro, então respondeu:
‘Tu és o Cristo o Filho do Deus vivo’ (v.16).
A afirmação ‘Tu és o Cristo’ dá ênfase ao aspecto da obra, pois Cristo é o Ungido. Deus O ungüi, deu-Lhe uma incumbência ou comissão para edificar a igreja. Na segunda afirmação: ‘Filho do Deus vivo’, a ênfase está na vida, pois ‘Filho’ está ligado à vida (1 Jo 5:12). A igreja, para existir, precisa tanto do Filho de Deus vivo, da vida, quanto de Cristo, da obra, para sua edificação.
Após fazer essa afirmação tão cheia de revelação, Pedro foi elogiado pelo Senhor, que lhe disse: ‘Bem aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai que está nos céus’ (Mt 16:17). Em outras palavras, o Senhor estava dizendo que aquela revelação não fora proveniente do ser natural de Pedro. Precisamos nos lembrar de que Pedro vivia na esfera da vida da alma; para ele ainda não era possível viver no espírito, pois até aquele momento o Senhor Jesus não havia entrado em Pedro, mas mesmo assim ele foi usado por Deus Pai para falar acerca de Seu mistério. A afirmação do Senhor era para nos esclarecer que a fonte da revelação não era Pedro e sim Deus, o Pai que estava nos céus.
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