08 de julho de 2026

Com o bolso alheio


| Tempo de leitura: 3 min

Não é de hoje que muitos políticos brasileiros consideram como seu o dinheiro público, utilizando-o como bem entendem. Afinal, as punições são raras e muitas vezes inócuas. Três notícias divulgadas na edição de ontem do Comércio da Franca e logo repercutidas nos programas da Rádio Difusora e no portal GCN dão bem a dimensão de como esta relação entre público e privado acontece também aqui, em Franca e região. A primeira delas, na coluna do repórter político Edson Arantes, dá conta de que três vereadores do município participaram de uma viagem a São Paulo, para receberem medalhas (que custavam mais de R$ 300 cada uma), e no retorno pediram reembolso de despesas - no valor total de quase R$ 3 mil. O estranho na história é que não foram apresentadas despesas pelo menos semelhantes. Valéria Marson (PSDB) declarou gastos de R$ 947,09; Nirley de Souza (DEM), R$ 587,19; e Pastor Otávio (PTB) apresentou despesa de R$ 1.408,30. Para tornar a coisa ainda mais estranha, este último, ao justificar o valor, cobrou por gasolina, diária do motorista e - pasmem! - pela passagem do ônibus. Afinal, como é que foi mesmo que ele viajou? Ainda não veio a público para explicar.

O Comércio também informou que a servidora municipal Aparecida Helena Lucas foi condenada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, acusada de fraudar licitações de móveis escolares. O gerente e um funcionário da empresa Ideal Rúpulo também foram condenados. Segundo o Ministério Público, seis concorrências foram direcionadas para que a firma fosse a vencedora. Os contratos somam R$ 1,5 milhão. A decisão é de segunda instância e cabe recurso. Pois é: mais um caso em que o dinheiro público continua sendo mal gerido, servindo para o benefício de alguns poucos em detrimento de toda a coletividade. A sentença, unânime, mostra bem que as provas coletadas pelo MP são fortes, apontam para a culpa da servidora e dificilmente a instância superior irá anular a condenação.

Por fim, outra notícia deste Comércio informa que uma equipe do Ministério Público de São Paulo, coordenada pelo promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges, esteve na Prefeitura do vizinho município de Restinga para apreender documentos e um computador. A ação faz parte das investigações para apurar desvio de dinheiro público e irregularidades na administração municipal. Acontece que 21 servidores municipais de Restinga teriam sido beneficiados no final do ano passado, com reajustes salariais que alcançam mais de 290% - num País onde os aumentos anuais nem chegam perto de 10%. Ou seja: alguém foi beneficiado com uma vantagem que, mesmo não sendo ilegal, é imoral. Nos três casos divulgados, percebe-se a falta de seriedade que permeia a ação de muitos agentes públicos, cujos vencimentos são pagos com o dinheiro do contribuinte. No fim das contas, o eleitor acaba sendo tratado como imbecil, já que não há uma punição exemplar que poderia acabar com este tipo de prática. Lamentável, sob todos os aspectos. É mais uma conta que acabará sendo cobrada do contribuinte, o qual fica sem ter como contestar.