Na quinta-feira da semana passada, eu, minha esposa e um grupo de fraternos amigos fomos ao Guarujá, litoral de São Paulo, para um curto, mas necessário descanso.
Nossa chegada, lá, estava prevista para as 9 hs da manhã, porém, em razão de congestionamento de caminhões no terminal de cargas do Porto, só chegamos às 15 hs, cansados e famintos.
Em razão de reformas promovidas em outro porto brasileiro, fato amplamente divulgado pela mídia, todo o escoamento da safra recorde que está sendo colhida foi canalizado para o porto de Santos/Guarujá e isso tem dado origem a congestionamentos de mais de trinta quilômetros.
Em conversa com alguns motoristas de caminhões que se encontravam na fila do porto, pudemos sentir o sofrimento que passam, gerado pelo descaso que têm recebido das autoridades.
São submetidos a filas de espera intermináveis, não recebem qualquer tipo de apoio, o porto não disponibiliza banheiros adequados e nem locais para alimentação e repouso.
O Brasil, sem dúvida, tem tudo para se tornar, brevemente, país de primeiro mundo. Nossas condições climáticas são favoráveis, o território é extenso e a topografia, adequada à agricultura e à pecuária. Os recursos hídricos são os mais invejados do mundo. O agronegócio vai de ‘vento em popa’, a moeda está forte em relação ao dólar, a inflação está controlada e a economia estável.
Ao menos aparentemente, o país reúne todas as condições necessárias para praticar um verdadeiro salto de qualidade.
Porém, ainda temos graves e antigos problemas de logística e de infra-estrutura. Fizemos, a meu ver, de forma equivocada, opção pelo transporte rodoviário e, praticamente, abandonamos o ferroviário.
Nossas estradas, com raras exceções, estão em ‘petição de miséria’. Nossos portos estão obsoletos, desarticulados e cobrando tarifas alfandegárias caríssimas, fatos reconhecidos pelo governador de São Paulo. Ano após ano, colhem-se safras recordes. Não obstante, não conseguimos exportar o excedente com eficiência, pois não estamos estruturados para fazê-lo. O atraso nas entregas acaba permitindo que os importadores estrangeiros cancelem pedidos.
As autoridades, em todos os níveis, reconhecem a ineficiência, mas, desenganadamente, nada de concreto é feito para mudar ou pelo menos minimizar a lastimável situação.
Com esse quadro, se nada for feito com urgência, em que pese todas as condições favoráveis que nos foram legadas pelo Criador, o Brasil não passará de país emergente, mesmo porque os governantes conhecem os problemas, discorrem sobre eles, mas nada fazem.
Com isso, acabam eternizando a máxima de Walter Lippman: ‘Quando todo mundo pensa igual, ninguém pensa muita coisa.’
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca