08 de julho de 2026

Carro, uma arma mortal


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Uma simples pesquisa no site da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo mostra que o trânsito de Franca tem registrado um alto índice de acidentes, principalmente os que apresentam vítimas. Nos dois primeiros meses do ano pelo menos 364 pessoas tiveram ferimentos em ocorrências relacionadas ao trânsito, enquanto em todo ano de 2012 foram 2.523. Ou seja, uma média de 6 pessoas acaba saindo machucada em batidas, abalroamentos e atropelamentos no perímetro urbano. No ano passado, foram 46 mortos neste tipo de ocorrência. Quando se comparam as estatísticas do mesmo organismo governamental relacionando-as às da vizinha Ribeirão Preto, cujas população e frota são quase o dobro de Franca, vê-se que algo está errado: nos dois primeiros meses deste ano, foram 401 vítimas (média quase igual à de Franca), enquanto em 2012 ocorreram 3.219 vítimas com 67 mortes. Caso a proporção população/número de ocorrências fosse mantida, os números de Ribeirão deveriam ser bem maiores, o que não acontece.

Então, o problema é Franca. Quem dirige pelas ruas da cidade constata a falta de preparo e de conscientização da maioria dos condutores de veículos. Aparentemente, grande parte não se preocupa com a possibilidade de transformar o carro - ou moto ou caminhão - em uma arma mortal, colocando em risco outros condutores, pedestres e a própria família. Ignora-se aqui, em grande parte, rudimentos das leis de trânsito. Só para citar um exemplo, é voz corrente em outras cidades que o motorista francano acha que o uso da seta, para sinalizar qualquer tipo de conversão, não é necessário. ‘Seta, em Franca, é só enfeite’, já falaram muitos motoristas de outras cidades e até francanos que trafegam dentro dos parâmetros da lei. O que não se entende é a falta de consciência dos condutores quanto à possibilidade de causar danos a si próprios ou então a terceiros.

Embora seja proibido trafegar nas ruas do município em velocidades superiores a 60km/h - e a sinalização deixa isso claro -, há os que ignoram mais esta medida de segurança e ‘viram’ pilotos em pistas de corrida.

Quantas pessoas já não morreram ou se feriram com gravidade, levando sequelas irreversíveis para o resto da vida por causa da imprudência no trânsito francano? Há ainda os que se sentem capazes de dirigir depois de ingerir uma quantidade considerável de bebida alcoólica, aumentando ainda mais o risco para todos. Um dos caminhos para uma mudança total desta situação é a fiscalização policial tornar-se mais rigorosa e constante, porque somente quando passar a sentir no bolso o peso de sua irresponsabilidade é que os condutores de veículos de Franca passarão a evitar riscos e dirigir com responsabilidade. O ideal seria ainda a responsabilização penal dos infratores, porque quem dirige em alta velocidade, de forma imprudente e/ou alcoolizado, merece ser preso, já que assume o risco de assassinar alguém.