Gerson Rodrigues e sua mulher Regina, amigos francanos de longa data, estimularam-nos a empreender um retorno à Foz do Iguaçu (‘água grande’ em tupi-guarani), como pequenas férias de outono.
No trajeto até o destino, decidimos passar por Treze Tilias, no oeste de Santa Catarina, pequena cidade fundada por imigrantes tiroleses no começo dos anos trinta, misto de centro agrícola (terra fértil) e estação termal (água abundante). É pequena, cerca de 6 mil habitantes, mas é encantadora por suas gentes, sua arquitetura bem característica, que lembra (bem) as origens austríacas, e seu clima. A base econômica do município tem dupla sustentação: o turismo (excelentes hotéis, trilhas, turismo rural, parque aquático) e forte agropecuária (leite, sobretudo).
Em direção à Foz, o caminho nos reservava algumas surpresas agradáveis em termos de geografia, urbanismo e economia.
Em Palmas, na divisa do Estado do Paraná com Santa Catarina, encontramos o Parque Eólico Água Doce, cujos aerogeradores medem, em média, 60 m de altura, produzem energia renovável (cada um deles gera 0,6 MW/hora de energia), e abastecem Palmas e Água Doce, além de proporcionar uma bela paisagem.
Boas estradas, apesar de alguns trechos com tráfego intenso de caminhões, nos levaram inicialmente a Pato Branco, no sudoeste paranaense.
Ali nos chamou a atenção algumas características: ruas e calçadas largas e limpas, asfalto impecável, árvores e flores nas ruas principais. Tem cerca de 76 mil habitantes, apresenta um IDH de 0,849 – portanto, é a 34ª melhor cidade em qualidade de vida do Brasil – e conta com instituição federal de ensino superior, a URTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Ficamos agradavelmente surpreendidos com a cidade, com seu dinamismo, beleza e limpeza.
A nova parada foi Francisco Beltrão, município criado em 1952, importante polo regional agrícola e industrial, considerado o maior do sudoeste paranaense.
Concentrando grande parte do comércio e dos serviços da região, a economia do município está baseada na produção agrícola (soja e milho), na bovino-suinocultura e na indústria (confecções de vestuário, moveis) e na agroindústria, com unidades fabris de grupos nacionais de renome.
Deixamos de lado Cascavel, importante e estratégico polo regional e fomos diretamente para Foz do Iguaçu, com todos seus atrativos de cidade fronteiriça. Fruto do Tratado de Itaipu (‘pedra que canta’ em tupi), firmado em 1973 pelos governos do Paraguai e do Brasil, ali está a usina da Itaipu Binacional, que, com 20 unidades geradoras e 14 mil MW de potência instalada, supre 17,3% da energia consumida no Brasil e 72,5% do consumo paraguaio. Itaipu é um orgulho da engenharia nacional.
No ‘território’ da usina está localizado o campus da UNILA – Universidade Federal da Integração Latino-Americana. Finalmente, as Cataratas do Iguaçu, o grande espetáculo da natureza no hemisfério sul. Em termos turístico-econômicos, o atrativo é grande e vale a pena conhecer: o viajante-turista será bem recompensado e a mãe natureza lhe encantará inúmeras vezes.
Vicente de Paula Oliveira
Economista