08 de julho de 2026

Questão de respeito


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A manchete da edição de ontem do Comércio mostra bem os rumos tortuosos que o ensino vem tomando no País. E não é a primeira vez que professores e funcionários de escola do ensino fundamental são agredidos e ameaçados dentro do estabelecimento de ensino. Anteontem, a diretora da EE ‘Professora Lydia Rocha Alves’, do Jardim Santa Bárbara, Nilce de Oliveira Nascimento, 50, foi agredida a socos e pontapés dentro da instituição por uma dona de casa de 33 anos, mãe de uma aluna do 7º ano. Segundo a polícia, a agressora ficou revoltada porque uma professora tomou o celular da menina - que o utilizava dentro da sala de aula - e o entregou na diretoria. Na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), enquanto a diretora contava sua história, mãe e filha passaram a acusá-la.

Nas entrevistas que concederam ao repórter Marco Silva, da rádio Difusora, mãe e filha apresentaram uma história que não se sustenta, diante das contradições. Aliás, a garota, de 13 anos, chega a perguntar para a mãe o que teria acontecido com ela (a estudante)! Este é o caminho que o ensino brasileiro vem tomando nos últimos anos, principalmente pela falta de limites com a qual estes jovens se deparam. Esta não foi a primeira ocorrência do tipo e, infelizmente, não será a última. Quando uma mãe se acha no direito de agredir a diretora - ou professora, que seja - dentro da escola, imagina-se como educa a sua filha dentro de casa, dando exemplos como o de dois dias atrás. A educação deve ser provida em casa; à escola cabe a instrução.

Cada vez mais professores e servidores de estabelecimentos de ensino, diante dos baixos salários e da situação que enfrentam diariamente em salas com até mais de 40 alunos, sentem-se desanimados e desprestigiados, com toda a razão. As leis brasileiras, nos últimos trinta anos, pelo menos, tornaram-se risíveis, já que premiam o infrator pela falta de punição. Fosse nossa legislação mais severa, certamente não estaríamos vivendo esta falta de rumo que atinge crianças e adolescentes. Ao impedir que menores de 16 anos trabalhem, os legisladores acabaram por criar uma geração de desocupados, que conseguiram direitos sem haver contrapartida de deveres.

O caso da estudante do Santa Bárbara é exemplar: de acordo com a lei, ela está proibida levar o celular na escola - quanto mais usar em sala de aula! Mas levou, usou e ainda foi defendida de forma totalmente errada pela mãe. Até quando continuaremos vendo a repetição de fatos como este sem que haja uma ação punitiva aos que erram, sejam menores ou não? Em que adulto se tornará alguém que nada faz o dia inteiro, transformando a escola em local de lazer e badernas? A falta de respeito dos alunos para com os professores decorre do desrespeito aprendido dentro de casa. Enquanto não houver uma conscientização de que jovem precisa de limites e de ser punido, sim, para que não reincida, as coisas só tenderão a Questão de respeito.