A Prefeitura está cogitando a possibilidade de passar a alguma entidade a administração da creche do Caic (Centro de Atenção e Integração à Criança), no City Petrópolis. O futuro do NEI (Núcleo de Educação Infantil) deverá ser definido na semana que vem, já que a medida necessita da autorização do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). Apesar da terceirização ainda não ser realidade, ela já é encarada como certa pelos funcionários da creche que, nesta semana, foi alvo de reclamações por causa da falta de monitores.
Se o prefeito decidir pela terceirização, a creche passará a ser gerenciada por membros da sociedade civil. De acordo com a secretária municipal de Educação, Leila Haddad, o fato de a creche poder ser conveniada não está relacionado com a falta de monitores.
“A Prefeitura está construindo creches e dando para a sociedade civil administrar. Nós temos 42 creches conveniadas e apenas duas municipais [a do Caic e a do Jardim Aeroporto III, a “Antonieta Covas de Couto Rosa”]. Dez novas creches vão sair este ano, com seis sendo inauguradas até julho, e mais quatro até o final do ano. Essas dez creches também serão conveniadas”, explica Leila.
O Comércio visitou o NEI na tarde de ontem. No local, o clima era de apreensão. Funcionários da creche, que não quiseram se identificar, não dão margens para dúvida: eles afirmam que a creche será terceirizada, dando até uma data para isso acontecer: 1º de abril. Uma das monitoras, no entanto, se mostrou contente com a mudança na entidade. “Se é para melhorar, tem que mudar”, afirmou.
QUEIXAS
O problema citado pela monitora que precisa ser melhorado é o da falta de profissionais para cuidar das crianças. Nesta semana, várias mães reclamaram que a defasagem de monitores tem feito com que as próprias professoras peçam a elas que não levem seus filhos para a creche.
Uma dessas mães é a gerente de uma fábrica de calçados Meirilene de Paula, 27. Ela tem uma filha de dois anos matriculada na creche, que esteve doente nos últimos dias. “Era para ela ter voltado para a creche na quarta-feira. Eu liguei lá, mas a monitora pediu que eu só a levasse para a creche na segunda-feira, porque eles não tinham condições de ficar com ela. No ano passado, esse problema [de monitores] estava difícil, mas este ano está crítico.”
Leila disse que a falta de monitores é explicada porque quatro delas foram convocadas para dar aulas na educação infantil e ensino fundamental da rede municipal, e duas estão de licença. “Com as escolas novas que estão saindo, precisamos de mais professores. Foi aí que diminuíram o número de monitores”, explica. A Prefeitura já convocou mais seis profissionais, sendo que dois deles já estão trabalhando. Os quatro restantes já haviam encontrado outro trabalho. A secretária assegura que as vagas restantes devem ser preenchidas já na semana que vem.
Uma das monitoras confirmou o desfalque de profissionais e afirmou que a ideia de pedir para as mães não deixarem seus filhos na creche só se limitava a mães que não trabalham e ficam em casa o dia todo. “Pedimos isso só até resolver a situação, e com autorização da diretora”, revelou. A diretoria não quis gravar entrevista.