Não vai muito longe o tempo em que o paletó e a gravata eram de uso obrigatório. O paletó podia ser de casemira ou de brim, mas era indispensável ao cidadão que pusesse os pés fora de casa. Aos reconhecidamente pobres, aos que se empregavam em atividades braçais, desculpava-se a falta de uso da indumentária.
Aos funcionários públicos, o paletó e a gravata serviam de uniforme, um conveniente uniforme que, para alguns, nada mais era do que uma proteção às suas constantes ausências do serviço. Não raras vezes, um munícipe, ao procurar um determinado funcionário na repartição, ouvia de seus subordinados ou colegas:
– Ele não está no momento. Mas, certamente logo retornará. O seu paletó está em sua cadeira.
O paletó, portanto, era o atestado da presença. Podia o funcionário estar onde estivesse: o paletó na cadeira era o certificado de sua assiduidade ao trabalho.´
Com o passar dos anos, a administração pública foi aperfeiçoando os métodos de verificação da freqüência de seus funcionários. Chegamos, atualmente, ao ponto eletrônico com a devida impressão das digitais. Com isto, pensou-se que o problema da assiduidade dos funcionários estaria rigidamente controlada. Ledo engano! No município de Ferraz de Vasconcelos, um grupo de médicos, funcionários públicos, fraudava o ponto eletrônico usando “dedos de silicone” que reproduziam as suas impressões digitais. Como no tempo dos paletós, os dedos denunciavam a sua presença.
O malandro utiliza-se de mil artimanhas para escapar às suas obrigações. Livros de presença, cartões de ponto, pontos eletrônicos não são suficientes para controlar os inescrupulosos. Só há uma maneira de enquadrá-los: a escolha de uma boa chefia. Se o chefe escolhido for competente, confiável, operoso, os seus subordinados também o serão. O chefe é o espelho da repartição. Porém, se o chefe não prestar, não haverá meios para controlar a malandragem.