07 de julho de 2026

Registros


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Do século passado, fotos em estúdio para a posteridade: registros de singulares momentos. Avós e mães tiravam retrato com os netos; noivos

Do século passado, fotos em estúdio para a posteridade: registros de singulares momentos. Avós e mães tiravam retrato com os netos; noivos, depois do casamento na igreja; formandos, após a entrega solene do diploma. Primeira comunhão, aniversários, noivados: comemoração é o que não faltava, máquinas fotográficas sim, daí a necessidade de estúdios e fotógrafos profissionais. Tais poses foram eternizadas em papel e, acredite!, algumas pintadas a mão: documentos que perpetuavam amizades, parcerias, e edições solo. Eram oferecidas aos parentes distantes, aos amigos, às paqueras. Serviam como recordação, quando ganhavam dedicatória. Em Franca havia vários estúdios e profissionais do segmento, entre os quais o sr. Edward e o sr. Gallo. Evento cheio de protocolo e cerimônia o registro. Primeiro, tomava-se banho, talvez os modelos até passassem perfume. Roupa escolhida entre aquelas de ‘ver Deus’ significado, imagino, para as de ir à missa ou culto, aos domingos. Observa-se neles sincronia das estampas das roupas; cuidava-se da maquiagem - rouge, pó de arroz, baton; preparava-se o cabelo: horas antes eram presos em cachos com ramonas para que depois de seco e solto, exibisse o efeito de caracóis. Essa foto é do meu acervo particular e foi tirada num distante 19 de março, quando vovó veio de Uberlândia esperar o segundo bebê de minha mãe que nasceria quinze dias depois da pose. Muitas décadas se passaram entre o registro e dia desses, quando uma das netas - quase da idade que eu na imagem - pegou o porta-retratos, perguntou quem era, expliquei, e ela, boquiaberta, duvidou: mas você já foi criança? Felizmente, a prova estava à mão.

(Lúcia H. M. Brigagão)