Nas últimas semanas foi anunciada a redução da velocidade da rodovia dos Tamoios para 60 km/h e a eliminação da pista auxiliar, tornando-a acostamento, exceto nos aclives, conforme a propaganda. Só que o que foi feito desmoraliza a determinação e a própria autoridade que decide essas coisas. Escrevi ao governador Geraldo Alckmin (São Paulo) que venha comprovar. Decisões tomadas de escritórios nem sempre condizem com a realidade. As alterações são por causa das obras na pista... Porém não tem nenhuma obra na pista, as obras estão ao lado, na duplicação. O que há são os caminhões de terra da obra que disputam as pistas.
As autoridades mentiram descaradamente quando disseram que a pista auxiliar permaneceria nos aclives. No sentido Caraguatatuba a São José dos Campos, uma faixa contínua já foi pintada, nos declives, aclives e planos, e permanecendo tracejada somente em trecho de Paraibuna e da Rosa Mística. A eliminação da pista auxiliar torna o trânsito ainda mais perigoso já que muitos motoristas farão manobras arriscadas para ultrapassar os veículos lentos. Aliás, o tráfego intenso de Paraibuna a São José demanda prioridade tanto no uso da pista como na construção das novas pistas.
Os caminhões das empreiteiras poderiam usar a pista auxiliar, que está impedida por cones ou virou acostamento. A velocidade desses caminhões passa dos 80km/h e, quando chegam ao seu destino, praticamente param gerando grandes riscos de acidente traseiros. As obras acontecem das 8h às 17h, mas na prática, só há movimentação e uso das pistas pelas empreiteiras das 9h às 16h. Não seria mais lógico que ampliassem? Ora, das 6h às 18h, aproveitando a luz do sol, pelo menos. As quatro pistas da rodovia estão em quase sua totalidade do mesmo jeito que antes do início das obras, ou seja, sem obras! Como cobrar dos motoristas que reduzam a velocidade, principalmente quando se param as obras após as 17h? Parece muito mais razoável que se reduza a velocidade nos locais que realmente estejam em obras.
Não se pode esquecer que as máquinas, os caminhões e as explosões de rochas causam danos ou sujam as pistas, as empreiteiras devem zelar pela manutenção imediata das pistas, da limpeza e da sinalização, principalmente no solo, o que não está ocorrendo em alguns pontos.
A quantidade de morros a derrubar ainda é grande, estimo de 15 a 20 km. Após um ano, já foi asfaltada uns 2 km de pista nova, só faltam 48 km... E pouca terraplanagem está concluída. Deveriam priorizar a preparação e asfaltamento da parte já detonada ou aterrada. Cabe ressaltar que nenhuma ponte foi feita ainda e sabemos os transtornos que causam montar uma ponte. E a pergunta não quer calar: será que alguém acredita que em dezembro teremos a estrada pronta? Não haverá outra greve de um mês em outubro próximo? Durante a duplicação de outras rodovias que acompanhei no passado, como a Washington Luís e a Dom Pedro, as novas pistas eram construídas para serem usadas durante as modificações das velhas pistas. Essa é a primeira vez que testemunho, destroem a que existe e não entregam uma nova.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)