08 de julho de 2026

Falta transparência


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Quando se trata de Brasil, o ‘jeitinho’ (uma prática nociva, onipresente na vida brasileira e que deveria, de uma vez por todas, ser extirpada) continua sendo a saída para muitos dos problemas que nos afligem, em todos os níveis da administração. Enquanto o governo federal faz malabarismos contábeis para inflar os índices de crescimento e reduzir os de inflação, em todo o País diversas autoridades eleitas para defender os interesses de suas comunidades preocupam-se apenas em locupletar. Em todos os casos, onde a corrupção é usual e nojentamente tolerada, os sobrepreços atingem de compras de material de escritório à merenda escolar, vê-se que a questão da impunidade permeia as ações.

Mais uma vez, aqui em Franca, o viaduto da Major Nicácio (uma das obras mais polêmicas dos últimos anos e que dificilmente deixará de causar burburinho nos próximos meses) volta ao centro das atenções justamente na semana de sua inauguração. O Comércio divulgou com exclusividade, em sua edição de domingo, que documentos arquivados pela Câmara dos Vereadores mostram que a Prefeitura - ainda comandada por Sidnei Rocha - e os vereadores da época já sabiam de falhas no projeto e nada fizeram para que fossem corrigidas. O Legislativo fez ainda pior: depois de uma apuração na surdina, engavetou a matéria e não se falou mais nisso. Marcelo Valim, à época (novembro do ano passado) integrante da comissão que fez a apuração, numa patética defesa de sua atuação, disse que assim agiu porque não foi reeleito: resolveu engavetar tudo e manter a farsa.

O que tem prejudicado o acompanhamento e a divulgação mais amiúde de fatos deste tipo (falhas em projetos, sobrepreço, licitações fraudulentas e, sobretudo, corrupção, entre vários outros) é a falta de transparência no trato com a coisa pública. O dinheiro do contribuinte historicamente sempre foi tratado com descaso e muita - e coloca muita nisso - irresponsabilidade. Neste caso, não se pode admitir que decisões sejam tomadas a portas fechadas, como se o contribuinte não merecesse uma satisfação. Ao ficar o dito pelo não dito, como é usual, trata-se o eleitor brasileiro como bobo. Enquanto não se privilegiar a transparência nas ações das autoridades brasileiras (e isso vale para todos os níveis da administração pública), continuaremos a ver desmandos como os que cercam a construção do viaduto da Major Nicácio.

A população tem todo o direito de saber o que acontece, para que possa questionar e cobrar uma maior responsabilidade dos gestores e legisladores públicos. Já se fala na constituição de uma nova comissão de inquérito na Câmara para tratar do assunto. Mas enquanto os responsáveis pelas falhas na construção da obra não forem cobrados e penalizados pelos prejuízos que certamente vão se acumular nos próximos anos, nada vai adiantar. Vai ficar por isto mesmo e o francano continuará pagando pelos erros que não são seus.