Nem bem 2013 começou e a campanha eleitoral para a presidência da República já está em curso. Todos os discursos, todas as ações e eventos já estão contemplando o tema, como se em 2014 estivéssemos. O nhenhenhém eleitoral vinha se desenhando desde o ano passado, com ameaças veladas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrar no páreo e barrar a tentativa de reeleição da ‘companheira’ Dilma. Nem bem 2013 começou e Lula - a mostrar ao Partido dos Trabalhadores e seus aliados que direção seguir - lançou a candidatura da atual presidente, dizendo-se fora do páreo. Foi o que bastou para que o principal partido de oposição, o PSDB, utilizando-se do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como porta-voz, já cristalizasse o senador mineiro Aécio Neves como candidato. Eduardo Campos, governador de Pernambuco - muito embora seu PSB integre a base de sustentação da presidente Dilma Rousseff -, também se colocou no páreo.
E o que se vê, hoje, a dezenove meses do pleito de 2014, é uma campanha aberta pela presidência. Qualquer ação de um dos lados soa como provocação, qualquer manifestação vira discurso e qualquer evento se transforma em comício. A imprensa vem acompanhando todos estes movimentos. E a trinca Dilma-Aécio-Campos se utiliza de qualquer espaço, à qualquer hora, como peça de propaganda para o ano que vem. Dificilmente, hoje, nem quem tem grandes dons de futurologia é capaz de dizer quem vai se dar melhor no ano que vem (mesmo que os índices de aprovação da presidente sejam altíssimos). Mas é fácil saber quem vai sair perdendo: como sempre, o brasileiro.
Enquanto em todos os eventos do governo federal - inclusive a reforma ministerial, anunciada na sexta, com posse já no sábado - Dilma Rousseff deixa patente as articulações já visando às eleições de 2014, o tucano Aécio Neves já discursa como opositor, postando-se contra as iniciativas do Planalto e criticando atos e ações da presidente. Eduardo Campos não fica atrás: intensificou viagens, reuniões e opiniões em que se ‘vende’ como uma terceira via plausível para o ano que vem.
Será que no governo federal, no Congresso Nacional ou no Estado do Pernambuco não há preocupações mais urgentes e prementes do que um evento que vai acontecer dentro de mais de um ano e meio? Dilma, Aécio e Eduardo Campos precisam deixar de se preocupar um pouco com o próprio futuro e se lançarem ao trabalho em benefício daqueles que os elegeram. Deixar a campanha eleitoral para o momento certo - e propício - não é apenas uma exigência, mas também uma necessidade. Porque no momento o País atravessa uma fase de incertezas com a política econômica do governo federal, acompanha a instabilidade do Congresso (o caso dos royalties é o mais recente) e as próprias mazelas do Nordeste brasileiro, onde o Estado de Pernambuco se insere. Então, já passou da hora de se arregaçarem as mangas e deixarem o pleito de 2014 um pouco de lado na busca de soluções para os problemas cujas providências urgem. O País não pode se dar ao luxo de ter quase dois anos perdidos por causa da sucessão presidencial.