Era para ser a estrela do encerramento de oito anos de mandato do ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Sonhado por duas décadas e planejado por meses, o viaduto da avenida Major Nicácio, que deverá ser entregue nesta semana, caminha para entrar para a história mais por suas polêmicas que pela grandeza de seu porte.
Um novo episódio na sexta-feira deve comprometer o brilho da semana de inauguração. Documentos arquivados pela Câmara mostram que a Prefeitura, ainda sob a tutela de Sidnei Rocha, e os vereadores sabiam de falhas no projeto do viaduto e nada fizeram para corrigi-las (veja quadro).
No seu segundo mandato (2005/2008), Sidnei já estudava, em 2006, formas de concretizar a grande obra. Mas com problemas mais urgentes, adia seu desejo.
Depois de garantir sua reeleição com folga em 2008, decide lutar pelo viaduto. Em 2009, envia um pedido de verbas para o governo estadual, mas é negado.
Convicto de que a obra marcaria a história da cidade e deixaria sua assinatura em Franca, o tucano passa dois anos economizando. Em 2011, tinha acumulado dinheiro suficiente para a obra.
Animado, Sidnei contrata uma empresa de São Carlos para fazer o estudo preliminar do viaduto. Participa pessoalmente dos debates com o engenheiro responsável. Finalmente, em junho daquele ano, um projeto básico é apresentado. Quatro meses depois, o prefeito anuncia a abertura de licitação. A previsão era ter o viaduto pronto até 2012, seu último ano de mandato.
O tucano só não esperava enfrentar a resistência dos vereadores. Em outubro de 2011 viu seu pedido de verbas para o viaduto ser negado. Prometeu reapresentar o projeto. Pouco mais de uma semana depois, uma nova derrota. Os vereadores exigiam estudo aprofundado sobre os impactos da obra. Ele teve de ceder.
O projeto de recursos só é aprovado em janeiro de 2012. Duas semanas depois, a Prefeitura abre licitação. E mais uma vez, o destino não colabora. Um erro nos preços do edital suspende a concorrência. Sidnei foca, então, seus esforços em dar o nome de Maria Patrocínio Rocha, sua mãe, à obra. Apresenta projeto à Câmara e a homenagem é contestada por vereadores que preferem o nome de Wagner Garcia.
Um mês se passa e a licitação é suspensa de novo, por causa de uma exigência do edital contestada por uma das empresas. A construtora é escolhida em maio. A entrega seria em novembro.
O viaduto segue o cronograma. Mas uma falha é descoberta por engenheiros da Prefeitura quando a construtora inicia a ponte sobre o córrego. Seria necessário alargar o canal. O secretário de Planejamento, Wilson Teixeira, anuncia o aditamento da obra, que custaria mais R$ 2,3 milhões. O Ministério Público intervém e considera o aditamento ilegal. Nasce mais uma polêmica. Em janeiro, Wilson anuncia licitação para o alargamento. Sob críticas e sem dinheiro, o prefeito Alexandre Ferreira cancela a licitação. Agora, a promessa é entregar o viaduto na sexta-feira, dia 22.
Clique aqui e ouça a entrevista com o ex-vereador Marcelo Valim. Ele comenta sobre as falhas no viaduto da Major Nicácio