09 de julho de 2026

Cigano é baleado em madrugada tensa no Jardim Santa Bárbara


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Materiais deixados no terreno do Santa Bárbara pelos ciganos, atacado durante a madrugada

Um rapaz foi baleado por homens não identificados (três ou quatro), na madrugada de ontem, em um acampamento de ciganos, no Jardim Santa Bárbara. O crime foi comunicado à Polícia Militar por volta da meia noite e meia. Segundo testemunha, um dos agressores teria gritado “Cigano tem que morrer” antes de disparar em direção ao conjunto de tendas montadas em um terreno do bairro citado.

Ao ouvir barulhos, Tiago Dias Ferreira, 26, saiu de sua barraca para ver o que acontecia e foi alvejado na barriga por um tiro de revólver calibre 32, que transpassou seu corpo pelas costas.

Assim que os outros ciganos do acampamento perceberam a gravidade dos ferimentos de Tiago Ferreira, resolveram não esperar a chegada de socorro médico e, por meios próprios, transportaram-no até a Santa Casa. Ele recebeu atendimento de urgência e foi encaminhado para a centro cirúrgico da unidade, por causa de uma intensa hemorragia foi operado. Até o fechamento desta edição seu estado de saúde era descrito como grave. Os ciganos que viram os disparos, não guardaram a fisionomia dos agressores.

Ontem, moradores das proximidades do terreno onde o crime aconteceu disseram à reportagem do Comércio da Franca que os ciganos, cerca 15 pessoas (entre crianças e adultos), acamparam na última segunda-feira, 18. “Estava assistindo ao jogo do São Paulo na TV e só ouvi os tiros. Não quis sair para fora e ver o que era”, disse um armador de ferragens, de 44 anos, que pediu para não ser identificado. Apesar do receio de comentar a respeito do assunto, o morador garante que ninguém no bairro teria coragem de cometer um crime desse. “Eles pediam água e comida. Dinheiro, não. Aqui (no bairro) só tem gente boa. Eles (ciganos) não fizeram nada com a gente, porque se fizessem, chamaríamos a polícia”.

Em uma mercearia próxima ao acampamento, populares diziam que a presença de ciganos é comum no bairro. “Vira e mexe eles aparecem por aqui e nunca causaram problemas até hoje. Nas poucas vezes que falei com algum deles, se mostraram muito educados.” explicou o comerciante, de 45 anos, que não quis gravar entrevista por medo de represálias. “Vai que eles voltam e querem se vingar da gente. Não temos nada a ver com a briga deles”, declarou.

Ao todo, segundo apurou a reportagem, foram feitos pelo menos seis disparos. Cinco acertaram a residência de um pintor desempregado que dormia com a família. Claudini Pereira de Oliveira, 42, e sua família passaram momentos de terror. “Foi assustador. Por sorte, os tiros vieram de longe. Quando chegaram na parede, já estavam sem força e não atravessaram. Eu e minha mulher nos deitamos no chão.”

Sem coragem de ver o que estava acontecendo, o morador disse que ouviu gritaria e confusão. Assim que o dia raiou, por volta das 6 horas, foi contabilizar os estragos em sua casa e viu o grupo de ciganos recolhendo apressadamente seus pertences e fugindo em automóveis antigos. “Eles deixaram colchões e uma sujeirada (sic) danada para trás. Moro há mais de 10 anos aqui e nunca passei um sufoco desses.”

A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca ficará responsável por instaurar inquérito para averiguar as circunstâncias do crime.