A atitude dessa aluna, que infelizmente tem paralelos em milhares de estabelecimentos de ensino por todo o país, é o rescaldo de uma sociedade omissa, em que os pais já não assumem a educação moral e ética de seus filhos, no sentido de transmitir-lhes os valores fundamentais da convivência humana. São pais e mães absolutamente absorvidos em seus projetos pessoais, em busca da conquista de valores puramente materiais, como carreira, sucesso profissional e aquisição de conforto e estabilidade financeira. (...) De fato, estamos proporcionando aos nossos jovens um mundo maravilhoso, repleto de tecnologia, de conforto e concessões inimagináveis para uma criança, por exemplo, criada nos anos 70 ou 80. Eles têm celular, internet, Ipod, Iped, têm as baladas, as roupas de marca. E ainda têm a garantia legal (via ECA) de que são intocáveis. A verdade é que a nossa sociedade criou tantos mecanismos para supervalorizar e superproteger a infância, a adolescência e a juventude, que agora nos perguntamos: como poderemos coibir os excessos desse meninos e meninas sem sermos, nós mesmos, acusados de crimes contra eles? (...)
Ronaldo Silva
Franca - SP